quarta-feira, setembro 24, 2014

Estacionados

Vi um vídeo curioso no Facebook, mostrando um senhor tentando estacionar seu carro. Era algo simples: o veículo era pequeno e a vaga, bem grande. Mas ele ia pra frente, e pra trás, repetidamente, e nada de conseguir resolver o problema. Até que, por fim – acredito que por desistência -, meio que atirou o carro onde estava mesmo, e se foi a seu compromisso. O detalhe do vídeo é que ele foi gravado de cima, a partir de um dos andares do prédio em frente. As pessoas assistindo chegaram a se divertir com a cena.

Observando a cena, é possível notar que, para quem olhava de cima, estava mais do que clara a facilidade. Mas para o senhor lá embaixo, lidando com a situação, talvez nem tanto. Ainda mais se ele possui alguma limitação física ou de percepção.

Às vezes estamos lidando com situações semelhantes. Um desafio ou problema que parece muito difícil de solucionar, ou para o qual temos limitações. Mas que, se pudéssemos ouvir, ou se déssemos ouvidos ao apoio e conselho de quem vê de cima, isto é, vê de outra perspectiva, poderíamos resolver com menos dificuldade. 

O problema é o chato do orgulho, que, raramente, nos deixa pensar.

Deus nos conhece muito bem. Ele, por meio de Jesus Cristo, resolveu nosso maior problema, nos dando lugar certo e seguro dentro da família da fé. E mais: Ele vê nossa vida não apenas de cima, como por todos os ângulos, conduzindo pelo caminho, conforme prometeu. Quando, em fé, sabemos disso, e confiamos plenamente, vamos lembrar de deixar de sermos orgulhosos, ficando pra lá e pra cá, sem resolver nada. Vamos deixar de nos apoiar em nossas limitações de capacidade e percepção, e confiar Naquele sempre tem uma vaga para nossas necessidades no Seu coração.

Isto é garantia de facilidade e todos os problemas resolvidos? Claro que não. Mas é certeza de que, seja qual for o desfecho, estaremos, em segurança, estacionados em Suas mãos.


(P. Lucas André Albrecht)

quarta-feira, setembro 17, 2014

Primeira Lei

princípio da Inércia, também chamado de primeira lei de Newton, refere-se à  tendência de um corpo dotado de massa em manter a sua velocidade. Fala da resistência que um corpo oferece à mudança do seu estado de repouso ou de movimento. Ou seja, se está parado, permanece parado. Se está em movimento, assim continua. Para ilustrar: quando um carro arranca, os corpos dentro dele são “puxados” para trás. Quando freia, projetados para frente.

Viver por inércia é a tendência que todos temos de ‘deixar a vida nos levar’, ao invés de a levarmos com mão firme. Isso é ilustrado pelo fato de que não é raro nos pegarmos pensando ‘quando criança, sim, eu era feliz!...”. Provavelmente porque não tínhamos quase nenhuma responsabilidade, apenas seguíamos a tendência do movimento. A idade adulta, no entanto, nos arranca no banco do passageiro e nos joga para o volante. Agora é conosco. Tomar decisões e arcar com consequências dói. Especialmente diante dos obstáculos que estão adiante.

Dependendo de como nos portamos diante disso, recebemos melhor o impacto. Quem está num carro com o cinto bem afivelado, dirigindo com atenção, vai absorver melhor qualquer curva brusca, freada repentina ou até uma batida. Quem estava só de carona e ainda sem cinto e distraído, corre mais risco de sofrer danos mais sérios. Claro, assim como no princípio da inércia, isso varia de corpo para corpo e depende da massa corporal. Mas que é mais complicado, não há dúvida.

Por isso, Deus nos capacita a tomarmos o volante e dirigirmos com responsabilidade, dentro do caminho que ele nos dá: fé em Jesus. Este tem todos os itens de segurança. Mantendo a atenção constante e nossa direção responsável, com Ele, estamos melhor preparados para os impactos e surpresas que a vida nos apresentar.

Esta é a primeira Lei de Deus, a Lei do Amor: Seu desejo de que todo corpo andando em Sua mão, permaneça neste estado.

Constantemente.



(P. Lucas André Albrecht)

sexta-feira, setembro 05, 2014

Lugares escondidos

“Um amigo, por causa do trabalho, fazia muitas viagens ao Japão. Apesar de saber da honestidade dos funcionários do hotel em que costumava se hospedar, por precaução ele sempre escondia sua câmera digital. Pensava, “é melhor não facilitar”.
Um dia, saiu com muita pressa e a esqueceu em cima do bidê. Ao voltar, viu que ela não estava mais no mesmo lugar. Ficou triste, pois parecia que tinha sido levada. No entanto, logo depois, descobriu que a camareira a tinha colocado no lugar que ele costumava escondê-la...”

Assim somos nós, muitas vezes, com nossos pecados e faltas. Pelo fato de encontramos lugares escondidos onde achamos que os deixamos longe da vista das pessoas, julgamos que estamos vivendo uma vida certinha, onde ninguém pode apontar nada.  Engano. Deus conhece todos estes lugares. Sabe de tudo que tentamos fazer para dissimular. Vê nossa culpa.

Mas, muito mais do que isso, Ele nos diz que não precisamos esconder nada. Em Cristo, pelo arrependimento e fé, temos perdão. Podemos jogar fora o que está errado e procurar fazer o que é certo. Se a “massa” não perdoa, mas massacra, humilha, aponta o dedo, fazendo a catarse de sua dissimulação, Jesus Cristo é diferente. Ele acolhe. Perdoa, abraça. Oferece perdão gratuito e irrestrito. E novo começo.

Assim, seguimos seguros de que não precisamos esconder nada. Não porque Ele vai achar e cobrar. Mas porque Ele quer perdoar e nos levar a viver em paz, procurando o que é certo, andando em Sua vontade.

Com toda honestidade.




(P. Lucas André Albrecht)

quarta-feira, setembro 03, 2014

Se é bom, não é ruim


Temos uma obsessão quase que doentia pela alegria constante. Postamos as melhores fotos, fazemos as melhores poses, compartilhamos as imagens mais bonitas. Precisamos desesperadamente mostrar a todo mundo que somos felizes... como todo mundo. Talvez não esteja longe o dia em que uma caixinha de alegria constante possa ser comprada em uma farmácia.

E, então, esquecemos que ninguém é alegre o tempo todo. Não lembramos que todo mundo pensa o mesmo de todo mundo – “todo mundo é feliz, menos eu” .

Aí, esquecemos das coisas que são boas, mesmo sendo ruins. Não notamos que até mesmo o que dói pode ser bom.  Uma frase um tanto estranha...mas verdadeira. Determinadas coisas que nos acontecem, e que doem, podem também ser boas. E não apenas injeção no braço ou tatuagem no corpo.

Só que, em algumas situações de vida, ao menor sinal de problemas ou desentendimentos – dor-, que testam nossos limites e nossas forças. logo vêm os conselhos. “Sai dessa, você não precisa passar por isso”. “Parte pra outra”. ”Pra que sofrer? Você foi criado para ser feliz”. E deixamos de lutar. E perdemos a oportunidade de mudar. De aprender.

Imagine Jesus Cristo, durante seu sofrimento e dor, ouvindo conselhos assim. ”Você é o Messias, cara. Precisa passar por isso?” “Mas, hein, larga deste amor bobo pelos outros e vai ser feliz em tua vida, companheiro”. Felizmente Ele ouviu a voz do Pai, não dos filhos. E hoje temos a segurança de um gesto que nos permite também ouvir a voz do Pai, como filhos. Vivermos uma vida na qual, quando há fé, até o que é ruim pode ser bom. Até o que, momentaneamente, causa dor, pode nos levar à alegria e segurança. Pois estamos no Caminho, na direção que não tem erro.

Algumas coisas são como tratamento de saúde, ninguém quer passar. Mas acabam resultando em nosso bem. Não existe a possibilidade de Deus nos abandonar, seja o momento em que for – seja o momento alegre, postado para o mundo, seja o momento de recolhimento, onde o mundo inteiro é nosso quarto escuro. Conectados pela fé, sabemos que conselho bom é Aquele que vem do Seu amor.

Aí, diante de determinados momentos de dor, poderemos utilizar outra frase estranha, mas também verdadeira: se é bom pra mim, então não é ruim.


(P. Lucas André Albrecht)

segunda-feira, setembro 01, 2014

Defeitos dos outros

10 defeitos e problemas que são sempre os outros que têm: 
-Preconceito
–Hipocrisia
–Consumismo
-Busca pelo lucro
-Julgamentos precipitados
-Ter, não ser
-Mente fechada 
-Pressa e impaciência
-Falar demais
-Intolerância
Como esse mundo seria melhor se os outros refletissem e mudassem!...

Este é o ser humano em sua coerência... Sempre pensamos que é o outro que tem que mudar, mas esquecemos de lembrar de olhar no espelho.

Não há dúvidas de que a sociedade precisa de mudanças. Mas enquanto ela continuar a ser tratada apenas como este coletivo abstrato, pouco vai acontecer. Vemos então que, primeiramente, não é sociedade, mas o individuo, a pessoa, nós, que precisamos mudar. Precisamos de educação, conhecimento, respeito e tolerância para olhar diferente e olhar o diferente. Entendermos que somos responsáveis e, a partir disso, agirmos responsavelmente. A mudança sempre tem mais chance de dar certo quando começa por mim.

Jesus Cristo mudou a história da humanidade para que ele, o ser humano, as pessoas, nós, recebêssemos acesso ao perdão. Assim, reconhecer não é defeito. È o caminho para ser alvo deste perdão, deste amor e desta mudança que a fé sempre provoca.

E não precisamos temer mudanças. Quando lembramos que Deus é um Pai que sempre que o bem dos Seus filhos, sabemos que Seu objetivo não é meramente apontar defeitos, mas sim, perdoar e fortalecer. Isto não muda. E dá segurança pra viver.

Para que o ‘outro’ que precisa de mudança seja visto também no espelho.
E na vida diária.


(P. Lucas André)