segunda-feira, fevereiro 23, 2015

Hora

Uma hora criticamos o uso excessivo da internet. Na outra, estamos teclando vorazmente durante uma conversa presencial.
Uma hora denunciamos quem agride o meio ambiente. Na outra, escondemos nossas ações pouco ou quase nada sustentáveis.
Uma hora não entendemos como alguém pode maltratar um animalzinho indefeso. Na outra, digitamos palavras furiosas em comentários virtuais, maltratando corações e sentimentos.
Uma hora condenamos o caráter de tanta gente “do mal’. Na outra, não reconhecemos que, seguidamente, nossas ações ficam bem longe do que chamamos de ser “do bem”.

Alguns exemplos, de muitos outros, que comprovam nossa tendência: uma hora somos juízes; na outra, tentamos nos livrar da cadeira de réus.

Se formos mais sinceros, veremos que precisamos de uma hora para pensar. E reconhecer que, no fim das contas, não somos tão bons quanto pretendemos ser.

Jesus Cristo já sabia disso. Foi por isso que veio ao nosso encontro. Sabia que, se dependesse de nossa coerência, estaríamos sempre correndo atrás do vento, tentando enganar nossa sombra; deixando de olhar para nós mesmos. Ele passou muitas horas entre nós, e seis horas em uma cruz, para que tivéssemos a oportunidade de lançar sobre ele nossas incoerências diárias, fruto da falta de coerência maior com que todos nascemos. Nesta troca, saímos ganhando. E muito. Pois recebemos perdão, providência, perspectiva. À sombra de Sua Palavra que nos fortalece a fé, temos condições de ver a vida a partir de um outro lugar. Fé que ora a qualquer hora e que a qualquer momento pode ser chamada a agir,

Isto não fará ser indiferentes para com o erro, seja o do outro, seja o nosso. Mas não há dúvidas de vai nos tirar um muito de nossa amargura e arrogância, conduzindo o coração na direção de compreender, respeitar e amar.

Ou seja, mal conseguiremos esperar a hora de mais uma oportunidade para auxiliar.

(P. Lucas André )

sexta-feira, fevereiro 13, 2015

( ) esistir



Estamos aqui, vivos, respirando. Existimos, portanto, inevitavelmente.

Uma vez que este existir é inevitável, também é lógico que existam opções de como conduzir esta existência. Como existir, como ‘levar a vida’? De que maneira enfrentar?

Trocando o ‘x’ por um ‘s’, é possível ilustrar duas maneiras básicas de ‘esistir’

Uma começa com D.  (d)esistir.
É quando preferimos observar a vida, e não vivê-la. Quando preferimos ser a vítima e não a voz. Escolhemos sentar na plateia, abandonando o papel principal em cima do palco..

A outra, com R.  (r)esistir.
Enfrentar. Não aceitar a única resposta de que o problema não tem solução, mas tentar uma segunda opinião. Ou terceira terceira..Resistir não apenas no sentido de ‘aguentar’, mas também de almejar, lutar. Sonhar.

Nos dois casos, mesmo que muitas coisas estejam fora de nosso alcance, e mesmo que muitas delas não possam ser mudadas, ainda assim está reservado ao nosso domínio um tanto de escolha.

Para isso, as duas letras fundamentais de nossa vida, FÉ, são o canal que nos ligam Àquele que, além nos dar o existir, nos leva a Viver. Aprender. Lutar. Deus nos chama a resistir, seja quando isso representa lutar com todas as forças, seja quando significa parar para recobrá-las. Quando significa ter a atitude de mudar ou quando é preciso mudar a atitude. Mas desde que foi uma escolha Dele nos trazer à fé em Jesus, continua sendo um presente Seu também a chance de podermos escolher. (d)esitir ou (r)esistir.

Resposta que, de um jeito ou de outro, sempre acaba sendo definida. Pois seja ‘d’ ou seja ‘r’, nosso ‘esistir’ não aceita parênteses. 




(P. Lucas André Albrecht)

sexta-feira, fevereiro 06, 2015

Rugas do sorriso

por Marcos Schmidt


Para não envelhecer, uma britânica de 50 anos não sorri há 40 anos. Ela educou os músculos a fim de conter as expressões faciais e evitar as marcas do tempo: "Todo mundo pergunta se tenho botox, mas eu não tenho, graças ao fato de não sorrir desde minha adolescência". Mas, essa vaidade provoca efeitos contrários. É que os músculos em movimento aumentam a quantidade de sangue onde atuam e ajudam a calcificar os ossos. Através do sorriso, pele, músculos e ossos ficam saudáveis e mantem a aparência mais jovem.  O sorriso também ativa a produção da serotonina e das endorfinas, substâncias que estimulam a sensação de bem-estar, melhoram o humor e previnem contra a depressão. Pobre dessa britânica, busca a juventude mas colhe a velhice precoce.

Engraçado, mas nosso jeito de vida é bem isto. Lutamos pela felicidade, mas estamos sempre infelizes. Inventamos máquinas para ter mais tempo, mas sempre correndo contra o relógio. Aprimoramos a tecnologia para uma vida melhor, mas sempre estressados. Trabalhamos que nem loucos para ter mais dinheiro, mas cada vez mais endividados. Construímos casas sofisticadas, mas sem tempo para morar nelas. Descobrimos tratamentos de cura, mas outras doenças aparecem. Aperfeiçoamos os meios de comunicação, mas nossos relacionamentos se complicam sem parar. Diminuímos distâncias com veículos modernos, mas nos distanciamos uns dos outros por ódios e ressentimentos. Grande ironia, tudo o que fazemos produz efeito contrário do que pretendemos.

Salomão descobriu que "quanto mais sábia é uma pessoa, mais aborrecimentos ela tem" (Eclesiastes 1.18). Então aconselha: "Seja feliz enquanto é moço" (11.9). Querer lutar contra as rugas da alegria num mundo onde sempre vamos sofrer é "correr atrás do vento" (2.11). Ao falar das contrariedades na vida cristã, o apóstolo confessou: "Nos alegramos nos sofrimentos, pois sabemos que os sofrimentos produzem a paciência, a paciência traz a aprovação de Deus, e essa aprovação cria a esperança" (Romanos 5.3,4). Sem rugas, a vida perde a graça.


Rev. Marcos Schmidt
Novo Hamburgo, RS