quinta-feira, março 20, 2014


Precisamos continuar a reconhecer o sentido das palavras, antes que a falta de sentido nos deixe reféns do que há de pior.

quarta-feira, março 19, 2014

Inveja do bem?


O termo já está bastante difundido, com sua variante ‘inveja branca”, como se pudesse ser algo bom ou, ao menos, aceitável. Só que não. “Inveja do bem” não existe. Quando gostamos de algo que o outro tem e temos vontade de ter também, existe nome. Admiração, desejo, vontade de ter, e sinônimos. Se passar para o lado negativo, se torna inveja mesmo, aquele sentimento maligno que conduz a pensamentos errados e, com alguma frequência, também a atitudes, como, por exemplo, quando a inveja vira cobiça. Nenhuma das duas é ‘do bem’.
Precisamos parar de suavizar ou ate mesmo corromper o sentido das palavras, especialmente os defeitos humanos. Pois vamos destruindo lentamente a linha do certo e errado, dando força para quem tenta se colocar acima dos demais, selecionando quais os defeitos aceitáveis e quais os condenáveis. O risco? Irmos adiante nas redefinições do que é ‘do bem’. Raiva branca, xingamento do bem, roubo branco, calúnia branca, violência do bem... Morte por arma branca?  

Este é o problema de diluir o sentido das palavras, ou transportá-las para campos semânticos que colocam em risco o que precisamente precisam dizer, apontar, condenar.

Vale lembrar que foi inveja que, por exemplo, levou Jesus Cristo à morte de cruz, dado o grau com que ela se apossou de seus opositores. Deus, no entanto, transformou esta consequência em algo efetivamente do Bem, a obra que traz perdão para qualquer erro, nos colocando, em fé, em seus braços e princípios de amor.

Em vez de dourarmos a pílula da inveja com branca, rosa, preta, amarela, ‘do bem’, é melhor utilizar o remédio que realmente a ataca. Reconhecer este sentimento nefasto e, com arrependimento e fé,  construirmos o caminho da admiração, valorização da conquista e desejo de ter, de maneira correta, aquilo que é necessário, que nos faz bem ou que nos satisfaz.  O que é mais importante pra vida Deus já deixou à disposição de todos, para não haver inveja ou cobiça. Nas demais coisas, auxiliar o próximo a conservar seus bens e seu meio de vida, e não invejá-lo, é o que realmente pode se considerar ‘do bem”.

Precisamos continuar a reconhecer o sentido das palavras, antes que a falta de sentido nos deixe reféns do que há de pior.



P. Lucas André Albrecht

sexta-feira, março 14, 2014

Programação

Imagine você assistindo à final do Campeonato Mundial de Clubes na qual seu time está jogando. Faltam poucos minutos e a partida está completamente indefinida. De repente, o único canal onde o jogo está passando encerra a transmissão, pois, em função de atrasos durante a partida, atingiu o tempo previsto na grade de programação. Inicia, então, a próxima atração, o filme “Heidi”.

Esta situação aconteceu. Foi em 1968, na final do Futebol Americano(Superbowl), entre Jets e Raiders. Faltando um minuto de jogo, os Jets estavam 3 pontos à frente. Como eram 19h, fim do tempo previsto para a partida que começara às 16h, o canal NBC passou para o filme. Para piorar, os Raiders conseguiram 2 touchdowns naquele minuto, definindo a partida que ficou conhecida como “The Heidi Game”. As ligações enfurecidas foram tantas que o canal colocou no ar um pedido desculpa formal, e passou o minuto perdido. De lá pra cá, é obrigatório ao canal que está passando ir com o jogo até o fim, não importa se extrapolar o horário designado na grade.

Pense bem, será que não é por isso que lidamos com certas reações das pessoas que amamos, ou com quem convivemos? Será que não estamos, em alguns momentos, simplesmente seguindo nossa programação, sem ligar se é o que elas estão precisando naquele momento? De um pouco mais de tempo, de atenção, de cuidado, ou de ajuda? Seria possível não simplesmente seguir o filme de nossa vida, e ajudarmos o outro a conquistar o que precisa - nem que seja por um minuto?

Jesus Cristo cumpriu até o fim sua programação – vida, morte, e vida novamente-  para, pela fé, deixar ao nosso alcance esta ação. Em alguns momentos, abrir mão da nossa programação normal em função da vida de alguém cujo enredo pode estar precisando de atenção. Não por obrigação, por definição.  Afinal, não se trata de um mero campeonato ou troféu, e sim, um ser humano, uma pessoa próxima de nós.

O tempo dedicado a ela vale mais do que qualquer outra atração possa nos oferecer.


Rev. Lucas André

sexta-feira, março 07, 2014

O outro e eu

Quando eu erro no trânsito, foi um equívoco, que acontece com qualquer um. Quando é o outro, trata-se de um barbeiro que merece ser xingado.
Quando eu não mudo de ideia, eu tenho opinião firme. Quando o outro não muda, ele não tem a cabeça aberta.
Quando eu disciplino meus filhos, é porque quero o melhor para eles. Quando é o outro, está sendo muito duro com as crianças.
Quando eu compro coisas, é porque preciso, e estou pagando com meu dinheiro. Quando são os outros, é porque são capitalistas que não resistem ao consumismo.
Quando sou agressivo, é porque tenho opinião forte e falo o que penso. Quando é o outro, não passa de um cavalo estúpido.
Quando eu jogo lixo onde não devo, talvez é porque não tinha outra alternativa. Quando é outro, publico foto do porco no Facebook.
Quando sou violento defendendo minha causa, é porque ela é nobre. Quando são outros, não passam de animais.
Quando morre um político de meu pais, “é um ladrão a menos”. Quando é de outro pais, não raramente e saudado como um grande líder.

Esta é uma tendência muito humana, muito nossa: justificar nossas intenções e julgar as dos outros. Confirmar nossas atitudes e questionar as dos outros. A incoerência, querendo ou não, é quase que parte da essência do ser humano. Só que não tem jeito. Quando o outro transgride princípios, ele transgrediu princípios; quando sou eu, também.

Mas este é um item “quase que parte da essência” porque, originalmente na era assim. Deus nos criou perfeitos, nós que nos afastamos. A primeira incoerência gerou todas as outras. Felizmente, veio dele o conserto, a aproximação, o amor coerente do inicio ao fim. Jesus Cristo nos conhece muito bem, e, mesmo assim, nos ama. Aproxima. Perdoa. E instrui, por Sua Palavra, indicando princípios que são aplicáveis em todas as situações, seja para nós, ou para os outros.

São estes princípios a segurança e orientação quando queremos definir, criticar, julgar ou ajudar. Pois estes princípios não mudam, não quebram, não são levados pelo fogo ou enchente, não fogem com outra pessoa, não são incoerentes, não se acabam. São sempre os mesmos. E sempre serão.

Assim, quando eu sou olhado por Deus, pela fé, sou visto como filho, cuidado e amado por Ele.

E quando é o outro, também.



P. Lucas André

sábado, março 01, 2014



Não há como vencermos nossas fraquezas enquanto não pararmos de culpar os outros.