terça-feira, junho 30, 2015

Lei e Graça

Você ouve um discurso cristão e ele soa como uma cartilha completa do como agradar a Deus.

Você ouve outra palavra cristã e ela desenha somente o cenário de tudo o que não se deve fazer, para não desagradar a Deus.

Você ouve mais comunicações cristãs e pensa que está ouvindo somente o decálogo de como ser moderno, socialmente aceito e ligado ao que há de melhor e mais tolerante, apenas se seguir aquelas regras que ali constam.

Ao contrário do que possa parecer, na verdade, pregações como esta, e muitas outras, não são cristãs. Ou melhor, sendo mais preciso, cumprem apenas parte do que prevê a comunicação bíblica.

A parte que elas cumprem, tem o nome de Lei. Isto se refere a todas as cobranças, imperativos, condenações e determinações que a Bíblia apresenta. E não são poucas. Mesmo que se pegue apenas o Novo Testamento (que, no imaginário popular, não tem lei, ao contrário do Antigo), imperativos e leis não faltam. Começando com o resumo da Bíblia inteira, dada pelo próprio Cristo: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração...amarás o teu próximo como a ti mesmo.” São frases perfeitas, já que ditas pelo próprio mestre. Mas são...Lei.

E o que isto significa? Significa que aponta para, exatamente, o que não conseguimos fazer. Nunca. Nem de modo parcial, quanto mais, perfeito. A partir daí, podemos ver o quão  equivocado é querer transmitir uma mensagem cristã completa anunciando apenas lei. “Faça isso, não faça aquilo, tolere,  não tolere. Ajude, não ajude. Faça a sua parte. Não seja assim. Ponha a mão na consciência. Mais amor, menos ódio”....

Tudo Lei. E toda a Lei bíblica termina nisso: acusar aquilo que não conseguimos fazer.

Mas a lei tem seu objetivo: preparar caminho. Quebrar o coração em seu orgulho e vaidade, criando o terreno propicio para a semente do Evangelho da Graça de Deus. Ai, temos uma mensagem cristã completa. Pois a Graça restaura, levanta, alimenta. A Graça perdoa, anima. A Graça salva. A graça fortalece. Sem ‘mas’, sem ‘talvez, sem ‘só que’. É Graça. E ponto. Tudo o que vier depois é resposta a ela. E também constante volta, já que, ali adiante, a lei vai nos acusar, novamente, de tudo o que falhamos em ser e fazer.

Por isso, andar com Jesus Cristo é um andar na Graça de Deus. É ser porta-voz da lei que denuncia o pecado, sim. Mas é ai que termina sua eficácia. A lei não melhora, não anima, não salva ninguém. Isto é trabalho do Evangelho de Jesus Cristo. É nele que o ser humano é abraçado, confortado, fortalecido e enviado ao mundo para ser reflexo desta graça na vida em que está inserido. Esta é a vocação que recebemos pela fé Nele. Anunciar a única igualdade real e ao alcance – aquela dos filhos diante do Pai..

Ao contrário do que possa parecer, portanto, a vida cristã não é um eterno cobrar e cumprir leis.

Mas sim, um constante viver e crescer na Graça.


(P. Lucas André Albrecht)

Seleção de vozes para O Filho Prógigo


quinta-feira, junho 25, 2015

Doutrinação na sala de aula

por Marcos Schmidt
 
Em entrevista no Jornal do Almoço da RBS, o professor de Educação da UFRGS, Fernando Becker, respondeu que “as religiões deveriam se preocupar muito mais em fazer evoluir as suas crenças, mas o que a gente vê são adultos professando crenças infantis”. O assunto foi o projeto de lei para ensinar o criacionismo nas aulas escolares de ciência. Também acho que o projeto é um equívoco já que a afirmação “Deus é o Criador” está no âmbito da fé. Por outro lado, isto abre o debate para tanta coisa na escola que deveria ficar na área da ciência, mas virou “religião”. A exemplo da pregação desse professor, de “fazer evoluir as crenças”, e do deboche que “são adultos professando crenças infantis”. Lembro que no meu tempo do ensino fundamental expressei a fé em Gênesis 1 quando o professor explicou a teoria de Darwin. Não esqueço a risada do mestre e o constrangimento que enfrentei diante dos colegas. Algo parecido com a minha filha ao ser qualificada de homofóbica pelo professor depois de testemunhar sua convicção no casamento de homem e mulher.
 
É inegável certas ideologias por trás daquilo que se chama ciência. Tanto que o maior debate no Plano Nacional de Educação é justamente incluir ou não a ideologia de gênero entre as metas propostas. Quem sai perdendo são as crianças e jovens que vão para a escola em busca de conhecimento e são expostas a doutrinações, às quais não podem questionar sob pena de serem alvo de sarcasmo.
 
Jesus disse algo que nunca podemos esquecer: “Felizes são vocês quando os insultam, perseguem e dizem todo o tipo de calúnia contra vocês por serem meus seguidores” (Mateus 5.11). Quanto ao que disse o professor, o Salvador já respondeu: “Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, nunca entrará nele” (Marcos 10.15). Ou seja, o ridículo de “adultos professando crenças infantis” é o jeito irracional de chegar ao Deus que não só criou o mundo, mas também se sacrificou por ele – a loucura da cruz (1 Coríntios 1.18).
 
 
                                               
Marcos Schmidt
Pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Novo Hamburgo, 27 de junho de 2015

sexta-feira, junho 19, 2015

Aelbra e ULBRA em apoio à liberdade religiosa no Brasil

Gestores reúnem-se com líderes religiosos e com o governo federal
  
Tendo como mote o apoio à votação do texto do Projeto de Lei 1219/2015, que cria o Estatuto Jurídico da Liberdade Religiosa no Brasil, o reitor da ULBRA, Marcos Fernando Ziemer, o presidente da Aelbra, Paulo Augusto Seifert, e o capelão geral, pastor Lucas André Albrecht, estiveram presentes em várias audiências, ao longo desta quarta-feira, 17.6, em Brasília. Essas atividades foram realizadas junto à coordenação da Associação Nacional de Juristas Evangélicos (ANAJURE), líderes religiosos, representantes de diversas religiões, agências missionárias e organizações educacionais confessionais com os líderes da Câmara dos Deputados Federais e do Senado Federal, além do vice-presidente da República, Michel Temer.


O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, ao receber a comitiva, de imediato, determinou a criação de uma comissão especial para que o trâmite do Projeto de Lei seja feito de uma forma mais célere. O vice-presidente elogiou a iniciativa dos líderes que declararam apoio ao projeto e reforçou seu compromisso em trabalhar pela garantia do direito à liberdade de culto e ao combate de qualquer forma de ‪‎intolerância, ‎discriminação ou desigualdade motivadas em função de credo aos brasileiros e estrangeiros residentes no país, como defende o estatuto. Em apoio ao PL, o senador Renan Calheiros afirmou que será feito um acompanhamento à tramitação dessa proposta na Câmara e, tão logo chegue ao Senado, será discutido um calendário especial para a rápida análise.

Para Ziemer, a questão da liberdade religiosa deve ser apoiada por já estar prevista na Constituição Federal, que é a Lei máxima que rege o Brasil. "Nosso País é laico. Cada cidadão tem a liberdade de escolher uma religião e professar sua fé. Isso está previsto em nossa Constituição. O Estatuto proposto assegura esse princípio de forma clara e precisa”, destaca. A Mantenedora e a ULBRA estabeleceram como um dos pontos de seu Planejamento Estratégico o reforço da sua identidade luterana nas suas ações.

“O Direito de Liberdade Religiosa é o principal direito humano fundamental e nós precisamos deixar isso bem claro na legislação federal. Neste sentido, agradeço o esforço da ANAJURE e de todos os líderes religiosos que nos acompanharam nesta missão histórica. Continuaremos a combater o bom combate aqui no Congresso”, pontuou Leonardo Quintão, deputado federal e autor do Estatuto Jurídico de Liberdade Religiosa.

O objetivo dos encontros foi pedir que a votação do texto na Câmara e no Senado possa ocorrer com celeridade. Nas visitas, também foi entregue uma Moção de apoio ao PL.

Leia aqui o PL 1219/2015.


Leia aqui a Moção.

sexta-feira, junho 12, 2015

A Favor


Olhe para a lista abaixo e, para cada descrição, veja se não vêm à mente, rapidamente, nomes que você conhece.
-Fulano é do tipo que quase nunca sorri.
-Fulana é tipo de pessoa sempre atrasada. 
-Aquela pessoa é sempre a primeira a colocar defeito.
-Aquele que sempre tem uma resposta pra tudo.
-A pessoa que não aceita criticas.
A lista poderia ser grande e, para cada item, lembraríamos de um rosto.
Agora, pense o quão limitada e limitadora é esta nossa tendência, de definirmos e reconhecemos pessoas por um único atributo. E, não raramente, um atributo ruim. Não sabemos como a pessoa é em casa, com amigos, em eventos, em outras situações. Não prestamos atenção em suas outras qualidades. Está dado o rótulo e é assim que ela será reconhecida.
É ruim, não há dúvida. Mas, simplesmente, não conseguimos evitar.
Pelo que você quer ser conhecido? Por ser o que logo se irrita, logo tempo opinião contrária? Logo não concorda? Logo grita? Logo fica magoadinho? Ser aquele do sobrenome encrenqueiro – “Fulano é da família tal, eles são assim, mesmo.” ?
E sua fé, como gostaria que fosse reconhecida: por um único assunto, por um único tema? Por uma opinião contrária? Aquela que, logo, tem uma crítica a fazer? Aquela que sempre soa moralista, condenando os erros de Deus e o mundo? Sim, de Deus também, pois, ao que parece, o ser humano consegue achar que até Deus errou deixando fulano estar vivo, siclano ser contra a minha ideia ou tal evento ou fato acontecer.
Pelo que você quer que sua fé seja reconhecida? Pelo que você é contra?
Pode ser que os cristãos, em muitos momentos, façam isto. Pode ser que nós mesmos venhamos a agir assim. Darmos a entender ao mundo que o cristianismo deve ser entendido a partir daquilo com que não concorda, ou como precisando de uma causa contra a qual lutar.
Mas não é assim. A Bíblia possui 66 livros e uma infinidade de abordagens. Reduzi-la a uma causa ou uma opinião dominante seria desprezar a grandeza da obra de Deus.
Se, ainda assim, em virtude da rapidez ou pouco espaço de expressão, ainda for necessário resumir a fé cristã em pontos específicos, ele não será uma causa, uma ideologia, uma opinião contraria, nem “a minha verdade pessoal e você não tem nada com isso”. Será amor. Amor de Deus por nós. Amor nosso a Deus e ao próximo. Pode também ser um resumo em duas imagens- a cruz e o túmulo vazio. Ou resumo em duas palavras – fé e amor. Ainda, resumo em duas atitudes – coragem e consideração.
Pelo que você quer que sua fé seja reconhecida? Pelo que você é contra? É um caminho.
Mas quando andamos no Caminho, que também é Verdade e Vida, já temos o conteúdo suficiente do qual falar a favor.


(P. Lucas André Albrecht)

quarta-feira, junho 03, 2015

Conhecimento e fé

por Fernando Garske

 
Você já ouviu alguém dizer que “fé é coisa de gente sem instrução”?

Richard Dawkins, por exemplo, disse certa vez que a falta de informação é que leva pessoas a recorrer à religião. Para ele, como para muitos outros, fé e conhecimento são inimigos irreconciliáveis. De fato, religiosidade fanática e supersticiosa não se mistura com o saber. São como água e óleo. Mas o que dizer do zelo que a fé cristã historicamente tem demonstrado pela educação?

Jesus deu aos apóstolos a ordem de fazer discípulos batizando e ensinando. (Mateus 28. 19,20). Os pais eclesiásticos cedo introduziram o sistema de Catequese. Martinho Lutero, ao se defrontar com uma Alemanha de analfabetos, que não podia ler a Bíblia, escreveu: “Aos conselhos de todas as cidades da Alemanha, para que criem e mantenham escolas”. E aos pais desmotivados em enviar seus filhos à escola: “Uma prédica para que se mandem os filhos à escola”. Nos Estados Unidos, preocupado com a educação cristã dos jovens, o pastor John Harvard decidiu fazer uma generosa doação em dinheiro e compartilhar os seus livros. A pequena escola, fundada na ocasião, é conhecida hoje como a Universidade de Harvard. Exemplos parecidos temos em nossa região, onde as escolas cristãs já atuavam antes mesmo das públicas. 

A própria pedagogia moderna mistura a sua história com a história da igreja. O “pai” da didática moderna, João Comenius, era um pastor dedicado a educação. No século 17 escreveu “Didática Magna” onde afirmou que educar é ensinar “tudo a todos”. Lançou assim os pilares do ensino obrigatório (a meninos e meninas), sistematizou a educação e propôs a criação de escolas atraentes, que incluíssem recreação e o lazer.

Tanto no passado como no presente, a fé e a devoção a Cristo como Salvador não compactua com a ignorância, mas incentiva e promove o ensino e o conhecimento. Nas palavras de Felipe Melanchton: “A ignorância é a maior adversária da fé, e, por isso, ela deve ser combatida”. 



Rev. Fernando E. Garske
Novo Hamburgo, RS