sexta-feira, julho 22, 2016

Injeções




Ainda não conheci ninguém com este perfil: gostar de tomar injeção.
E que tal a sugestão de tomar não apenas uma injeção, mas uma picada por dia, durante meses? Hum...mais difícil ainda de conhecer alguém. Uma delas já não é agradável.Imagine centenas, uma por dia!..
Há, no entanto, quem aceite esta sugestão. De bom grado.
Durante o processo de tentativa de gravidez, muitas mulheres descobrem algo que não sabiam que tinham: Trombofilia. Em termos mais leigos, seria algo como ter o sangue muito espesso para que chegue até o bebê em gestação. Desta forma, ele acaba não se alimentando e não cresce. Detectado este problema, é necessário então, no momento em que acontece uma nova gravidez, entrar com injeções de enoxaparina, que vai (ainda em termos leigos) deixar o sangue “mais fino”, possibilitando que ele chegue ao bebê, garantindo seu  crescimento e o sucesso da gestação.
Para ter seu bebê, portanto, a mãe vai precisar se submeter a uma injeção diária deste medicamento. Até a última semana da gravidez e, em alguns casos, ainda mais algumas semanas após.
Por que estas mulheres aceitam tomar uma injeção diária, e de bom grado?
Por dois motivos principais: Porque sabem que têm uma vida dentro dela e este é o caminho para mantê-la. E porque olham para o futuro, para o momento em que terão a criança em seus braços.
Se há um porquê, é menos difícil suportar o como.
Não é fácil suportar as dores que vêm da fé. “Carregar a cruz’, como Jesus Cristo definiu. Não é nada fácil aguentar injeções diárias de discriminação, intolerância, impaciência. Exercer confiança, paciência, perseverança. Suportar, até mesmo, o pior.
Por que suportar as dores de viver a fé? Por dois motivos principais:
-Porque temos Cristo, a Vida, dentro de nós, Esta vida dá novo sentido à nossa. Dá o porquê definitivo, que nos leva a viver, tolerar e suportar quase qualquer como.
-Porque olhamos para o futuro, o momento em que Deus nos terá em seus braços, de braços abertos. O momento em que esta vida aqui se encerrará, mas a nova vida estará apenas começando. De certa forma, um “nascer para a eternidade”.
Para nos manter neste caminho, Ele quer injetar em nossas veias, constantemente, Sua Palavra e Seu amor, pelos meios que providenciou para isso. Mantendo o alimento e o crescimento, impedindo que a vida seja interrompida e permitindo olharmos com confiança para o futuro promissor .
Injeções diárias. Quando há o porquê, temos como enfrentar tudo.
Até a última semana

 P. Lucas André Albrecht

quarta-feira, julho 20, 2016

Transformador

Ligar um aparelho 110v em uma tomada 220v é sinônimo de problemas na certa. Já aconteceu essa com você?

É, pra mim, também. A voltagem excessivamente alta é demais para o aparelho, e ele acaba queimando. É o momento em que a ajuda de um transformador é indispensável. A intermediação e conversão que ele faz garante a energia necessária para que o elétrico ou eletrônico que pretendemos utilizar funcione em seu pleno potencial. E não queime.
Às vezes, pode ser que as pessoas não ouvem o que você diz, ou se chateiam com suas palavras, por falta de um transformador.

Como isso acontece? Bem, há momentos em que aquilo que vamos dizer, ou o jeito que utilizamos para dizer para um amigo é forte demais para a tensão do coração dele suportar. Para evitar que a carga excessiva queime o relacionamento, precisamos do transformador da sensibilidade, carinho e vontade de ajudar para que a mensagem possa ser recebida e aproveitada.

É uma medida que pode ser mais fácil ou mais difícil, dependendo do contexto e da amizade, Mas que traz resultados altamente positivos quando se trata de, realmente, querer ajudar, e não apenas queimar o outro.

O próprio Jesus Cristo agiu como um. Transformou a ira de Deus com o pecado em Graça para conosco, pecadores, por meio de Sua vida e obra. Nosso coração, pela fé, é fortalecido em nossas tensões cotidianas. Um amor que salva, guia, protege.

Dá a Maior Força.

 


 P. Lucas André 

terça-feira, julho 12, 2016

Confiar no Melhor

Quando queremos alguma coisa pra nossa vida, ou para a vida de alguém que gostamos, é comum pensarmos ou dizermos “Desejo que Deus faça o melhor para a minha/sua vida!”. E isto é algo bom, pois não há dúvida de que Deus sempre faz o melhor.

Mas... estamos prontos para o que este melhor pode vir a ser?

Isto é, temos confiança de que o melhor vai acontecer, mesmo que não seja como tínhamos pensado? Mesmo que seja muito diferente do que tínhamos planejado?..
Esta parte é difícil. Nem sempre aceitamos as coisas como elas vêm. Se não for do jeito que pensamos e planejamos, tendemos a achar ruim. Afirmamos que deu tudo errado e temos dificuldade em entender ou aceitar que o melhor aconteceu. Entretanto, pense bem: quantas vezes a gente imagina, planeja e não consegue os resultados que pensou, mas acontece algo muito melhor? E quantas vezes achamos que algo indesejável que nos acontece não tem sentido nenhum, e, então, mais adiante, conseguimos enxergar o quadro todo, e mudamos nosso jeito de ver e viver?

Se pensarmos no que Jesus Cristo fez por nós, parecia a pior coisa do mundo – pena de morte, final horrível em uma cruz. Mas ali estava O Melhor. Nada pode superar o futuro que Ele ali nos entregou, pela fé. E nada supera o que já podemos ter no presente – confiar no Melhor. Único. Perfeito.

Não há dúvida de que Deus faz sempre o melhor. Podemos confiar sem medo errar.

Mesmo quando ainda não der pra enxergar.



 P. Lucas André Albrecht

sexta-feira, julho 08, 2016

Como saber?


Quando uma pessoa diz  que ama você, como fazer para saber se é verdade ou não? Já que não há como comprovar objetivamente a existência do amor, colocar no microscópio e dizer: “Aqui está ele”.

A única maneira de saber se é verdade ou não é prestar atenção em olhares, gestos, toques, ações. É a partir disso que se pode ter certeza, ou não, de que a pessoa realmente nos ama. Só é possível saber se existe amor quando conseguimos perceber o amar.

A Bíblia nos diz que Deus é amor. Como saber e ter certeza disso?

Olhando para a sua ação. Olhando para a Cruz de Cristo, Sua ação de amor direcionada ao ser humano, tirando-o da situação de perdido e caminhando para o lugar errado e o colocando perto de si.

Também nas ações diárias de Deus em nossa vida -  ensino, carinho, repreensão, proteção - podemos comprovar que o Amor existe. Não apenas existe. Tem nome e rosto..

Porque olhar para Jesus Cristo é ver o amor de Deus. Na prática.



 P. Lucas André Albrecht

quinta-feira, julho 07, 2016

Crescer

Juliana tinha plantado uma muda de flor no jardim, sob a orientação da mãe. Após uma semana, ela apareceu na cozinha com a muda na mão.
- Que foi filha, por quê você arrancou a flor? Perguntou a mãe.

Juliana respondeu:
- Ela estava demorando muito para crescer e eu quis  ajudá-la, mãe. Mas foi só eu puxar um pouquinho e ela saiu da terra...

A lógica de Juliana muitas vezes é aplicada por quem quer ajudar o próximo a progredir, principalmente quando parece muito lento o crescimento do outro. Mas não basta tentarmos implantar uma ideia – o que pode, se descuidamos, equivaler a impô-la. Sempre que tentamos acelerar o crescimento de alguém, por melhor que sejam nossas intenções, corremos o risco de “arrancá-la” do seu lugar, seu ritmo, e terminar com a iniciativa e o próprio crescimento.

Jesus Cristo está presente, pela fé, quando se trata de nos dar perdão, fé e crescimento. Podemos plantar, cuidar, acompanhar.

Mas sem esquecer de que vem dele tudo que nos faz crescer.



 P. Lucas André Albrecht

terça-feira, julho 05, 2016

Confiança

Quando você vai ao dentista, exercita algo muito interessante. Fé.

Não parece? Pense bem. Você senta em uma cadeira, fecha os olhos e permite que alguém mexa em uma das partes mais intimas do seu corpo, a sua boca. E você não faz ideia do que ele está fazendo, pois não entende do assunto. Ou seja, sentamos naquela cadeira e abrimos a boca porque confiamos que aquela pessoa entende do que está fazendo.

Ao caminharmos pela vida, muitas vezes não vamos enxergar o que está acontecendo. Seguimos com dúvidas, até mesmo com desconforto e dor. Mas exercendo fé Nele, vemos diferente. Podemos fechar os olhos e exercer fé enquanto Ele trabalha no nosso local mais íntimo - o nosso coração.

Podemos ter sempre presente esta oportunidade de sentarmos  junto ao Pai. Descansar e confiar. Jesus Cristo entende do que faz e nos faz entender que repousar em fé e seguir em confiança é estar em suas hábeis mãos de amor. Bem cuidados.

Porque está é uma certeza: Ele sempre trabalha para o nosso bem.



 P. Lucas André Albrecht

terça-feira, junho 21, 2016

Porquê





A matéria informava sobre um festival de música. Mas o que chamou a atenção foi o recorte: abordava pessoas que estavam lá sem saber exatamente o porquê. Alguns dos entrevistados diziam que não conheciam os artistas, mas estavam aproveitando para curtir. Uma das falas: “Não gosto de música eletrônica, não conheço, mas aqui é lindo e já fiz vários snaps e fotos", 

Levando isso para a vida como um todo – estamos aqui por quê? Para tirar fotos, para curtir? Mal sabemos o que está acontecendo?

Bem, esta pode ser uma das alternativas de passagem pela vida. Curtir a ignorância enquanto se tira fotos e se toma champanhe. Mesmo quem não tem tanto dinheiro assim pode passar a vida apenas existindo e verificando a próxima atualização da rede social. Mas precisamos ficar atentos, Nem tudo na vida é festa. E nem tudo acaba em música. Pode acabar bem mal. E não poderemos alegar ignorância.

É por isso que Jesus Cristo oferece a festa da fé, a vida com paz e sentido  Ela nos tira do final infeliz e nos coloca no ambiente da família de Deus.
Perdoados Poe Ele, somos seguros e cientes. Assim, quanto mais estivermos atentos ao nosso propósito de vida, menos mecânica ela fica, mais autêntica. E com um sentido que é menos selfie e mais de ação na direção do próximo, como expressão da fé em Quem sempre está próximo do coração

Isto não quer dizer que vamos deixar de curtir e celebrar. Mas sempre saberemos muito bem  o porquê.


 P. Lucas André Albrecht

sexta-feira, junho 17, 2016

Precisamos

Uma das características humanas evidentes nas redes sociais é o moralismo engajado.

A nossa timeline está cheia de receitas, fórmulas e soluções para fazer o mundo ficar melhor, para as pessoas se comportarem bem e para combater os 'ismos' e 'fobias' dos outros. Por outro lado, o próprio moralista engajado já é uma pessoa consciente o suficiente e já sabe fazer uso correto dos meios, das formas, das palavras. É do bem, só fala com coerência, respeita os animais, é contundente e preciso, e fala a verdade doa a quem doer.
Porque, você sabe... são sempre os outros que precisam de conselhos...

Mas a verdade é que somos todos nós que precisamos de perdão.

Perdão oferecido, doado, gratuito. Sem ser condicionado a regras de bom comportamento ou condições moralistas(porque, neste caso, ninguém receberia). Ao alcance da mão – ou melhor, do coração. Oferecido por Quem foi moralmente perfeito para que destruir o nosso moralismo e fazer de nossas ações resultados de uma fé que crê, confessa, age e ama o próximo.

Porque, você sabe... os outros..., e nós!... precisamos de Graça e Amor.

Muito.



 P. Lucas André Albrecht

quarta-feira, junho 08, 2016

Estupro - cultural ou individual?


 
O termo “cultura do estupro” mais atrapalha do que ajuda. O alerta vem da RAINN (organização nos Estados Unidos que se traduz como Rede Nacional de Assistência à Vítimas de Estupro, Abuso e Incesto). A RAINN, num documento à Casa Branca em 2004, sugere que “nos últimos anos, tem havido uma infeliz tendência em acusar a ‘cultura do estupro’ pelo extensivo problema de violência sexual”. “É importante”, diz o texto, “não perder a noção de um fato simples: estupro é causado não por fatores culturais, mas por decisões conscientes, de uma pequena porcentagem da comunidade em cometer um crime violento”. O termo foi criado pelo movimento feminista, EUA, nos anos 70, a fim de defender que o estuprador pratica a violência sexual por culpa do contexto cultural onde a mulher sempre foi desvalorizada. O assunto é polêmico quando nos últimos dias ouvimos bastante a palavra “cultura” para explicar o caso da jovem violentada por vários rapazes no Rio de Janeiro.
 
Não há dúvida de que os costumes, a educação, e até a religião, podem influenciar a prática de coisas boas ou ruins, sobretudo no comportamento sexual. Mas, afirmar que a causa do estupro é cultural, livra o criminoso da culpa e transfere o problema às questões sociais, por vezes, com finalidades ideológicas e políticas. A violência, antes de qualquer natureza, é pessoal. O meio em que a pessoa vive apenas intensifica, mas o abuso é do agressor e o problema deve ser tratado individualmente, sem colocar todos e tudo no mesmo balaio. No tempo bíblico, quando os fariseus se resguardavam hipocritamente contra as “impurezas” espirituais de outras culturas, Jesus contestou, dizendo que “é do coração que vem os crimes de morte, os adultérios, as imoralidades sexuais...” (Mateus 17.19).
 
A violência do estupro é um ato imoral e a culpa é do indivíduo. O remédio está na cultura da Palavra que diz: “Marido, ame a sua esposa como Cristo amou a Igreja e deu a sua vida por ela” (Efésios 5.25). Onde o amor de Cristo é cultivado, há respeito com o corpo da outra pessoa.   
 
 
Marcos Schmidt
Novo Hamburgo,RS

terça-feira, maio 10, 2016

Home run



Talvez você não conheça Bartolo Colon. Mas o que ele fez talvez seja algo inspirador.
Colon fez história,. Aos 42 anos de idade, perto dos 43, o rebatedor do time de Beisebol do NY Mets conseguiu o primeiro home run de sua carreira. O comparativo aproximado com o futebol seria um atacante profissional que, nesta idade, ganhasse o primeiro titulo ou decidisse uma partida pela primeira vez.  A ESPN colocou este feito entre os 10 mais improváveis da história. Um site de estatísticas o ranqueou como o 11º mais lento de todos os tempos.
O fato é que, aos 42 anos, Colon entrou para a história como o jogador mais velho a completar uma home run na história da Major League Basebal (MLB). Um card com sua imagem bateu todos os recordes de vendas em 24 horas na temporada. “O impossível está acontecendo”, disse um dos narradores da partida..
Pode ser que pessoas lhe digam que seu tempo já passou. Ou que você não conseguirá mais alcançar aquilo que deseja. Afinal, já está muito velho, muito pesado ou pouco preparado; Já está sem condições físicas ou psicológicas. Já tem filhos, netos e familia pode atrapalhar. Perdeu aquele bom emprego. Não ganha tanto quanto o vizinho ou aquela amiga. Não tem, quem sabe, nem mesmo coragem ou talento suficientes.
Mas quem disse que tem que ser assim? O vizinho, o chefe, o parente? Alguém que não gosta de você? Algum outro ‘especialista’ em vida de outros?
No entanto, às vezes vamos acreditando nisso e concretizando as profecias feitas sobre nossa vida. Achamos que não há mais tempo de run (correr), já é hora mesmo de ficar só em home (casa).
Não quer dizer que vamos bater recordes, destruir o impossível ou ganhar fama instantânea. Mas sempre há tempo para aquilo que está ao alcance de nossas mãos. Dificilmente existe ‘tarde’ ou “não mais’ quando se trata de realizarmos o mais importante na vida. Não importa se a conquista não é a mais rápida, a mais vendida ou a mais provável. Ela é sua. E é um presente de Deus.
O impossível pode acontecer.
Já aconteceu antes..
A principal conquista – e a mais improvável de todas, pela perspectiva humana – se realizou quando Jesus Cristo acertou a tacada que mandou para longe o que nos afastava Dele e nos deu a oportunidade de ir na direção do Pai. Agora, com esta fé e convicção, podemos correr pra casa. Sem pressa. Com precisão.
A maior e mais importante home run de nossa carreira.

 P. Lucas André Albrecht

sexta-feira, maio 06, 2016

quarta-feira, maio 04, 2016

154 horas


A declaração do cunhado de Prince, cantor morto este ano, é chocante. O astro da música pop, na semana em que foi encontrado morto no elevador de acesso a seu estúdio, teria trabalhado por 154 horas seguidas. Prince estaria em meio a esta maratona de trabalho que, associada a outras questões, pode ter sido uma das causas de sua morte.
Cento e cinquenta e quarto horas são mais de seis dias seguidos. O tempo que Deus levou para criar o mundo e, no sétimo, descansou, segundo a Bíblia.
Mas nem Prince, nem você e eu, somos deus. Não existe a mínima possibilidade de queremos nos acabar trabalhando ou estudando sem descanso, e isto não ter consequências em nossas vidas.
Trabalhar é muito bom. Mas, como tudo que é feito em excesso, pode matar.
Não somos deus. Mas temos conosco aquele que é. Ele nos convida à pausa no agito, quer também nos ver parar. Seu Filho ficou  seis horas numa cruz para que, com fé, nosso corpo e nossa alma possam Nele descansar.
Ele nos estimula ao descanso frequente como meio de podermos continuar a trabalhar.




 P. Lucas André Albrecht

segunda-feira, abril 25, 2016

Salivar

Acredito que você esteja familiarizado com o chavão “Eu não me arrependo de nada do que eu fiz”. Segundo esta lógica, nossos erros não precisam de arrependimento, já que cada um deles “foi um aprendizado”, “contribuiu para ser quem sou hoje”, etc, etc...

Agora, surge uma nova variante, que parece ser mais amena. “"Não posso me arrepender de uma atitude que foi feita impensadamente. Foi a reação de um ser humano normal”, disse um ator brasileiro, procurando justificar um ato cometido.  O ato de cuspir no rosto de um homem e uma mulher.

A frase parece sugerir que arrependimento serve somente para aquilo em que pensamos antes de fazer. Os atos impensados estariam livres desta necessidade.

Talvez exista algum lugar onde esta lógica se encaixe, mas certamente não é na Teologia. Nela, erro é erro, e precisa de arrependimento e perdão. Especialmente  o impensado, já que, quando planejamos agir maldosamente, não estamos pensando em arrependimento. Ao menos não naquele ponto, caso contrário, não planejaríamos. Para quem acredita ser uma pessoa de fé e que procura fazer o bem, os erros mais frequentes tendem a ser os impulsivos.

Errar já é feio em si, mas eximir-se da necessidade de arrependimento acaba sendo pior. Seja para um ator ou qualquer outro profissional. Ou melhor, todo e qualquer ser humano. Nós não só cometemos erros impensados como também erros propositais. E todos eles precisam de perdão e recomeço. Diários.

Na trajetória de Jesus Cristo, cuspes também estiveram em cena. Um dos episódios está ligado à cura de um cego, permitindo que ele pudesse voltar a ver. A cusparada foi no chão. A cura foi no rosto.
Em, outro, os torturadores do Salvador lhe cuspiam no rosto, com acinte, afronta e humilhação. Nada ali foi encenado, tudo foi de verdade. As cusparadas foram no rosto. A cura, no coração.

E esta cura foi muito bem pensada e executada. Ela muda a vida daqueles que, tendo ouvido que precisam, sim, de arrependimento e perdão sempre, em todas as situações, salivam pelo Evangelho que, pela fé, perdoa, cura, anima a viver. E procuram respeitar o diferente por saber que ele também é um igual.

Do contrário, tudo pode se tornar mera arrogância, aparência ou cegueira.

Tudo da boca pra fora.



 P. Lucas André Albrecht

quarta-feira, abril 20, 2016

Pelo quê?


Os brasileiros acompanharam no domingo, dezessete de abril, um dos momentos que era para ser somente histórico da nação. Entretanto, acabou sendo também um dos momentos mais bizarros que já testemunhamos.

O motivo? O motivo foram...os motivos. As pessoas que se apresentaram na tribuna para dar seu voto trouxeram também os motivos pelos quais estavam fazendo aquilo. A lista não foi curta. Pela familia, pelo marido, pelos filhos, pela esposa, pelo pais, pela nação, por terroristas, por torturadores, por isso, por aquilo.... A pergunta que fica é pelo quê estavam aquelas pessoas lá, de fato? Era realmente pelo que diziam estar? Dá para conectar as palavras do domingo com as ações de segunda a sábado?

A pergunta também pode ser feita a nós – já que um parlamento é feito por pessoas que saíram daqui, de onde estamos. Pelo quê dizemos sim ou não às coisas na vida?

Em alguns momentos, como naquele domingo, vai depender se há uma câmera ligada, se há pessoas nos vendo. Nestes casos, tendemos a utilizar as palavras “que precisam ser ditas”. Juramos amor à familia e acreditamos ser ótimos  pais, mães, maridos, mulheres, filhos, amigos, profissionais. Em outros, quando somos só nós com as pessoas a quem dizemos valorizar, é quando acontece a hora da verdade. Deixamos de ser ‘políticos’ e somos nós mesmos. E aí, deixamos mais a desejar do que gostamos de admitir.

Incoerentes. Muitos políticos são, sem dúvida. Muitos cidadãos também. Na verdade, não “muitos”, mas todos. A incoerência está lá dentro e, quando se manifesta, é motivo suficiente para o impedimento de todo e qualquer orgulho, vaidade ou hipocrisia. 

Nesta hora, vemos que todos precisamos daquele que veio a este mundo não para ocupar um trono ou uma tribuna, mas uma cruz. Porque Ele já sabia pelo quê iria lutar. Já sabia a que diria sim e contra quê diria não. Ele sabia pelo quê valeria a pena dar sua própria vida.

Por você.


 P. Lucas André Albrecht

segunda-feira, abril 18, 2016

Fobia

Virou moda, agora, chamar qualquer coisa de fobia. Toda opinião contrária a um tema rapidamente recebe este radical grego da maneira mais inadequada possível. Se sua opinião não concorda com a do outro, não vai importar se você apresentar argumentos consistentes ou não. Você é um ‘fóbico”.

Já é hora de parar com isso.

O primeiro motivo é porque grande parte das pessoas que utilizado o termo, não conhece seu significado. Melhor não usar, portanto.

O segundo, e principal (decorrência do primeiro): isto é um desrespeito, e até ofensa, para com as pessoas que possuem um real medo irracional. Elas sofrem por isso.  Você já viu alguém manifestando uma fobia real? Medo de altura, medo de aranha, de lugar fechado?... Eu já. E acredite, não tem nada de interessante nisso. Não tem nada a ver com opinião ou preconceito, ou com simples discordância. Quem é fóbico sofre, não  tem prazer nisso e não alimenta sua fobia. Nada tem a ver com as fobias que são inventadas a cada dia, algumas delas, somente para tentar blindar pessoas e grupos dos questionamentos e até das criticas.

Em geral, rotular tudo e todos de “algumacoisafóbicos” tem muito é deOpiniaodiferentefobia. E disso, certamente, não precisamos.

Precisamos, sim, de compreensão e cuidado para com as pessoas que sofrem, de fato, com uma fobia que acabam por carregar. Coisas que o amor de Jesus Cristo não cansa de nos proporcionar.

Com as que pensam diferente, menos 'fobia' e agressão e mais tolerância e respeito na hora em não conseguirmos concordar.


 P. Lucas André Albrecht

sexta-feira, abril 15, 2016

GRAVADA


Ouvir a própria voz. Há algumas décadas, isto era impossível para o ser humano. Os sistemas de gravação de som fazem parte da humanidade há menos de 200 anos. Antes disto, nunca uma pessoa teve a experiência de ouvir a si mesmo. Algo que, em nosso tempo, é absolutamente comum.

Se ouvir nossa é comum em termos de tecnologia, poucas vezes é em termos de consciência. Multiplicam-se as ocasiões em que resistimos a ouvi-la, com a tendência de nos iludirmos, achando que, por sermos tão ‘do bem’, vamos, naturalmente, conseguir acertar. Neste caso, pode ser que, acima do problema de não ouvirmos nossa consciência, esteja o fato de que ela não está ouvindo a Pessoa certa com precisão.

Precisamos de uma voz clara e coerente. Precisamos de precisão. Ouvir o que Jesus Cristo fala ao coração, por meio da fé,  nos possibilita ouvirmos nossa consciência sem pessimismo exagerado e sem otimismo irreal. Antes, uma voz real falando sobre a vida real.  Desta forma, possivelmente conseguiremos também ajudar outros a ouvirem a Voz certa e fazerem da voz de sua consciência um discurso de amor em ação.

E não é preciso de um gravador. Basta a Graça, gravada no coração.



 P. Lucas André Albrecht