segunda-feira, abril 25, 2016

Salivar

Acredito que você esteja familiarizado com o chavão “Eu não me arrependo de nada do que eu fiz”. Segundo esta lógica, nossos erros não precisam de arrependimento, já que cada um deles “foi um aprendizado”, “contribuiu para ser quem sou hoje”, etc, etc...

Agora, surge uma nova variante, que parece ser mais amena. “"Não posso me arrepender de uma atitude que foi feita impensadamente. Foi a reação de um ser humano normal”, disse um ator brasileiro, procurando justificar um ato cometido.  O ato de cuspir no rosto de um homem e uma mulher.

A frase parece sugerir que arrependimento serve somente para aquilo em que pensamos antes de fazer. Os atos impensados estariam livres desta necessidade.

Talvez exista algum lugar onde esta lógica se encaixe, mas certamente não é na Teologia. Nela, erro é erro, e precisa de arrependimento e perdão. Especialmente  o impensado, já que, quando planejamos agir maldosamente, não estamos pensando em arrependimento. Ao menos não naquele ponto, caso contrário, não planejaríamos. Para quem acredita ser uma pessoa de fé e que procura fazer o bem, os erros mais frequentes tendem a ser os impulsivos.

Errar já é feio em si, mas eximir-se da necessidade de arrependimento acaba sendo pior. Seja para um ator ou qualquer outro profissional. Ou melhor, todo e qualquer ser humano. Nós não só cometemos erros impensados como também erros propositais. E todos eles precisam de perdão e recomeço. Diários.

Na trajetória de Jesus Cristo, cuspes também estiveram em cena. Um dos episódios está ligado à cura de um cego, permitindo que ele pudesse voltar a ver. A cusparada foi no chão. A cura foi no rosto.
Em, outro, os torturadores do Salvador lhe cuspiam no rosto, com acinte, afronta e humilhação. Nada ali foi encenado, tudo foi de verdade. As cusparadas foram no rosto. A cura, no coração.

E esta cura foi muito bem pensada e executada. Ela muda a vida daqueles que, tendo ouvido que precisam, sim, de arrependimento e perdão sempre, em todas as situações, salivam pelo Evangelho que, pela fé, perdoa, cura, anima a viver. E procuram respeitar o diferente por saber que ele também é um igual.

Do contrário, tudo pode se tornar mera arrogância, aparência ou cegueira.

Tudo da boca pra fora.



 P. Lucas André Albrecht

quarta-feira, abril 20, 2016

Pelo quê?


Os brasileiros acompanharam no domingo, dezessete de abril, um dos momentos que era para ser somente histórico da nação. Entretanto, acabou sendo também um dos momentos mais bizarros que já testemunhamos.

O motivo? O motivo foram...os motivos. As pessoas que se apresentaram na tribuna para dar seu voto trouxeram também os motivos pelos quais estavam fazendo aquilo. A lista não foi curta. Pela familia, pelo marido, pelos filhos, pela esposa, pelo pais, pela nação, por terroristas, por torturadores, por isso, por aquilo.... A pergunta que fica é pelo quê estavam aquelas pessoas lá, de fato? Era realmente pelo que diziam estar? Dá para conectar as palavras do domingo com as ações de segunda a sábado?

A pergunta também pode ser feita a nós – já que um parlamento é feito por pessoas que saíram daqui, de onde estamos. Pelo quê dizemos sim ou não às coisas na vida?

Em alguns momentos, como naquele domingo, vai depender se há uma câmera ligada, se há pessoas nos vendo. Nestes casos, tendemos a utilizar as palavras “que precisam ser ditas”. Juramos amor à familia e acreditamos ser ótimos  pais, mães, maridos, mulheres, filhos, amigos, profissionais. Em outros, quando somos só nós com as pessoas a quem dizemos valorizar, é quando acontece a hora da verdade. Deixamos de ser ‘políticos’ e somos nós mesmos. E aí, deixamos mais a desejar do que gostamos de admitir.

Incoerentes. Muitos políticos são, sem dúvida. Muitos cidadãos também. Na verdade, não “muitos”, mas todos. A incoerência está lá dentro e, quando se manifesta, é motivo suficiente para o impedimento de todo e qualquer orgulho, vaidade ou hipocrisia. 

Nesta hora, vemos que todos precisamos daquele que veio a este mundo não para ocupar um trono ou uma tribuna, mas uma cruz. Porque Ele já sabia pelo quê iria lutar. Já sabia a que diria sim e contra quê diria não. Ele sabia pelo quê valeria a pena dar sua própria vida.

Por você.


 P. Lucas André Albrecht

segunda-feira, abril 18, 2016

Fobia

Virou moda, agora, chamar qualquer coisa de fobia. Toda opinião contrária a um tema rapidamente recebe este radical grego da maneira mais inadequada possível. Se sua opinião não concorda com a do outro, não vai importar se você apresentar argumentos consistentes ou não. Você é um ‘fóbico”.

Já é hora de parar com isso.

O primeiro motivo é porque grande parte das pessoas que utilizado o termo, não conhece seu significado. Melhor não usar, portanto.

O segundo, e principal (decorrência do primeiro): isto é um desrespeito, e até ofensa, para com as pessoas que possuem um real medo irracional. Elas sofrem por isso.  Você já viu alguém manifestando uma fobia real? Medo de altura, medo de aranha, de lugar fechado?... Eu já. E acredite, não tem nada de interessante nisso. Não tem nada a ver com opinião ou preconceito, ou com simples discordância. Quem é fóbico sofre, não  tem prazer nisso e não alimenta sua fobia. Nada tem a ver com as fobias que são inventadas a cada dia, algumas delas, somente para tentar blindar pessoas e grupos dos questionamentos e até das criticas.

Em geral, rotular tudo e todos de “algumacoisafóbicos” tem muito é deOpiniaodiferentefobia. E disso, certamente, não precisamos.

Precisamos, sim, de compreensão e cuidado para com as pessoas que sofrem, de fato, com uma fobia que acabam por carregar. Coisas que o amor de Jesus Cristo não cansa de nos proporcionar.

Com as que pensam diferente, menos 'fobia' e agressão e mais tolerância e respeito na hora em não conseguirmos concordar.


 P. Lucas André Albrecht

sexta-feira, abril 15, 2016

GRAVADA


Ouvir a própria voz. Há algumas décadas, isto era impossível para o ser humano. Os sistemas de gravação de som fazem parte da humanidade há menos de 200 anos. Antes disto, nunca uma pessoa teve a experiência de ouvir a si mesmo. Algo que, em nosso tempo, é absolutamente comum.

Se ouvir nossa é comum em termos de tecnologia, poucas vezes é em termos de consciência. Multiplicam-se as ocasiões em que resistimos a ouvi-la, com a tendência de nos iludirmos, achando que, por sermos tão ‘do bem’, vamos, naturalmente, conseguir acertar. Neste caso, pode ser que, acima do problema de não ouvirmos nossa consciência, esteja o fato de que ela não está ouvindo a Pessoa certa com precisão.

Precisamos de uma voz clara e coerente. Precisamos de precisão. Ouvir o que Jesus Cristo fala ao coração, por meio da fé,  nos possibilita ouvirmos nossa consciência sem pessimismo exagerado e sem otimismo irreal. Antes, uma voz real falando sobre a vida real.  Desta forma, possivelmente conseguiremos também ajudar outros a ouvirem a Voz certa e fazerem da voz de sua consciência um discurso de amor em ação.

E não é preciso de um gravador. Basta a Graça, gravada no coração.



 P. Lucas André Albrecht

terça-feira, abril 12, 2016

Toda regra tem exceção?


Ou "A exceção confirma a regra". Crescemos ouvindo esta frase. Mas ela está correta?

A frase original é latina, e se traduz: “A exceção confirma a regra nos casos não eximidos”. Ou seja, a exceção confirma que existe uma regra, mas não, necessariamente, que ela seja universalmente válida.

Por exemplo, se vejo uma placa dizendo ‘proibido estacionar aos domingos”, posso entender que a regra é que, nos demais dias, é possível estacionar. A exceção, o domingo, confirma a regra, “de segunda a sábado”.

Já se eu digo; “Todo mundo nesta universidade é elite’, quando eu me deparar com uma pessoa mais pobre, isto não confirma a regra; ao contrário, a destroi.. Se digo que “todo cristão é limitado”, quando me deparar com um doutor que confesse a fé cristã, minha regra vai ao chão. Se digo, “toda igreja só quer enganar as pessoas’, quando encontrar uma igreja séria, minha tese terá sido derrubada.  Ainda: se digo que toda regra tem exceção, quando encontrar uma regra que não tenha, esta minha regra estará derrubada.

Se há exceções, é sinal que a regra geral não é universalmente válida. Não é A verdade.

Às vezes utilizamos esta frase como justificativa, especialmente para justificar o injustificável. Quando somos pegos em uma falha ou contradição em nossas teorias e regras super bem desenvolvidas, apelamos para  a exceção que provaria a regra e nos eximiria de rever nosso pensamento ou nossa reflexão. Mas é melhor refletir de novo.

Quando olhamos para a Bíblia, vemos um Deus sem exceções. Primeiro, que não retira ninguém da situação difícil. Todos, sem exceção, são imperfeitos.. Segundo, coloca todos na mesma situação - alvos do seu amor. A graça de Deus se estende a todos, desde o menos letrado ao doutor, desde o pior ao melhor bandido, se é que dá para classificar assim. Todos.

Pois quando Ele diz que, por causa de Jesus Cristo, ama a cada ser humano, ele quer dizer que sua regra é esta.

E Ele não abre exceção.


 P. Lucas André Albrecht


  

sexta-feira, abril 08, 2016

Em cheio


Noticia divulgada no mês de Março de 2016 indicava que dois cometas passariam de raspão pela Terra. Um deles, a cerca de 5 milhões, o outro, 3 milhões de quilômetros.Quando pensamos em termos das medidas com as quais mais lidamos, parece muito longe. Mas, em termos astronômicos, é bastante perto.

Parecido com aquelas passagens de raspão que fazemos em nosso dia a dia, meteóricas, deixando rastros e estragos. Seguimos pensando, que não foi, nada na verdade estávamos bem longe de querer ferir. Isso em nossa medida. Pois, do ponto de vista o ferido, pode ter sido muito perto.

Felizmente, diferente dos cometas, nossa próxima passagem não precisa ser daqui a dezenas de anos. Podemos, o mais rápido possível - hoje mesmo -, voltar a passar pela vida das mesmas pessoas, desfazendo aquilo que pode ter chamuscado as relações e reconstruirmos nossa rota de contato e auxilio. Espalhando o cuidado e amor com os quais também somos tratados por Jesus Cristo, que decidiu não passar de raspão, mas atingir em cheio nosso planeta com Sua obra perfeita.  Desta forma, vamos deixar para trás um rastro de bondade e consideração. 

Atingindo em cheio muitas vidas com alegria, carinho e consideração.



 P. Lucas André Albrecht

quinta-feira, abril 07, 2016

Por quem?

Vinte segundos após decolar, um voo da Air Florida, partindo do aeroporto de Washington, EUA, caiu no gelado rio Potomac, em 1982. Rapidamente, um helicóptero da policia estava no local e lançou uma corda. Arland Williams, um dos passageiros, alcançou a corda e a passou para um outro sobrevivente, que foi içado. Ele fez isso cinco vezes - passou a corda para as pessoas serem salvas. Antes da sexta tentativa, ele desapareceu nas águas congelantes do rio, para nunca mais ser visto.

Uma grande história de desprendimento e auto sacrifício. Aquelas cinco famílias das pessoas salvas certamente não encontram palavras para agradecer alguém que deu sua vida para salvá-las.

Por quem estaríamos dispostos a isto? Um filho, um mãe? Um amigo, um grande amor? Doar-se ao outro, até mesmo dar a própria vida, não é fácil, pois tendemos a nos preservar.

Pensando nisso, é ainda mais espantoso pensarmos no amor de Deus. Deus a vida de seu próprio Filho para que todas as pessoas, mesmo desconhecidas, tivessem chance de fé e vida. Para evitar que congelassem de amargura e desespero e fossem içadas para perto do Seu coração.

Um grande Amigo, Um grande amor. Uma obra completa.

Foi por você.


 P. Lucas André Albrecht


( Fonte da ilustração: Lutheran Hour Ministries)

terça-feira, abril 05, 2016

Amar e odiar


Você acredita em liberdade da vontade, em livre-arbítrio?

Bem, aparentemente, não há nada que indique o contrário, todos têm liberdade para fazer suas escolhas. Mas veja esta frase da escritora Marie von Ebner-Eschenbach: “Aquele que acredita em livre-arbítrio nunca amou ou nunca odiou”.  

De uma forma poética, ou até irônica, ela descreve a realidade. Quando amamos, muitas vezes ficamos ‘presos’ ao objeto deste amor. Mesmo que seja um amor não correspondido. Acabamos fazendo escolhas em volta deste amor, abrimos mãos de preferências e vontades, apenas para satisfazê-lo. Vivemos um amor cego. E, por mais estranho que pareça, o mesmo acontece com o ódio. Eles também nos prende. Passamos a viver em função da pessoa ou situação odiada. Ela nos paralisa e domina os nossos movimentos.

O amor de Deus na direção do ser humano tem a  ver com liberdade de escolha: a Liberdade Dele nos escolher. Jesus Cristo vem ao nosso encontro, dá o primeiro passo. No entanto, no segundo momento, quando somos abraçados por este amor, pela fé, nós nos tornamos livres. Livres para amar, viver, aprender.  Especialmente, para não deixar que o ódio nos prenda na cela da amargura, nem que o amor cego nos tire a autonomia e a liberdade de respeitar, questionar e aprender.

Então, vamos odiar perder qualquer oportunidade de demonstrar nossa liberdade de amar o semelhante.



 P. Lucas André Albrecht

segunda-feira, abril 04, 2016

sexta-feira, abril 01, 2016

Mentirosos

Na lista das "coisas que você não tolera", ou "o que você não suporta numa pessoa”, a mentira sempre aparece entre as 3 primeiras. Com muita frequência, é a primeira colocada. As pessoas odeiam a mentira, não suportam gente mentirosa, condenam quem engana.

Mas é só dar dois passos e constatar o cenário real. Todo mundo odeia mentira, mas ela nunca para de aumentar. Ninguém gosta de gente mentirosa, mas muita gente mentirosa continua a circular. As pessoas não toleram a mentira. Mas mentem sem se controlar.

O dia da mentira é uma das maneiras de, se temos alguma dúvida, lembrarmos e confirmarmos que o ser humano é inerentemente mau. Defender que o ser humano nasce bom, ou com a inclinação par o bem é contrariar tudo o que a lógica diz e os olhos veem. No caso da mentira, tudo o que ela nos faz passar.

Somos todos mentirosos.

O ser humano precisa da Verdade que vem de fora. Precisa de um Salvador.

E Ele veio. Não só como a Verdade mas, também, como o Caminho e a Vida.  Ele também não tolera a mentira, mas Ele, sim, só fala a Verdade.. E a verdade é que Jesus Cristo oferece perdão aos mentirosos, pois sabe que não conseguimos nos livrar do erro. Perdoa e liberta. Porque somente o Filho, pode nos fazer verdadeiramente livres. Ele nos suporta, nos tolera, nos ama.

De verdade.



 P. Lucas André Albrecht

quinta-feira, março 31, 2016

Visualizar

Entre as funções do Whatsapp está o sinal de envio e entrega de mensagem a um contato. Então, quando a mensagem é visualizada, o sinal muda de cor. Ou seja, neste momento, você sabe que a outra pessoa já viu o que você escreveu,

É nessa hora, pelo que leio na web, que muita gente fica irritada. Visualizou e não respondeu logo? Por que? Está fazendo de conta que não viu? Será que está de mal comigo? Será que é de propósito? O que custa responder?...

Enquanto no Whatsapp podemos até nos irritar ou chatear com isso, esquecemos que, na vida real, há muitas situações que visualizamos para as quais também não damos resposta. Pode ser uma palavra amiga, um ombro necessário a quem vimos triste, abatido. Pode ser uma ajuda a quem visualizamos que estava precisando. Pode ser dar ouvidos à mãe ou o pai depois de vermos que eles estão certos. Vale também para as mensagens de advertência que recebemos ao longo da estrada e fazemos de conta que não vimos. Ali adiante, acabamos nos vendo muito mal.

Visualizar bons recados, enxergar as boas oportunidades de fazer o bem e, efetivamente, entrar em ação, é uma forma de demonstrarmos respeito e amor pelo próximo. Ainda, demonstrar que este amor é reflexo do amor do Jesus Cristo, que nos tem na Sua retina. A fé Nele nos leva, especialmente, a ver Suas mensagens de amor e cuidado, espalhadas pela nossa semana. E dá o caminho para nos comunicação direta com Seu olhar de amor.

Ele visualiza e sempre responde. Na hora certa e de maneira perfeita.

(P. Lucas André)

segunda-feira, março 28, 2016

COSTAS


Escritor do século XIX, Ambrose Bierce escreveu o "Dicionário do diabo", onde, de maneira irônica e sarcástica, traz verbetes e suas definições a partir de sua ótica peculiar. Por exemplo, no verbete "Costas', ele define: "A parte do corpo dos seus amigos que você tem o privilégio de contemplar quando está em adversidade". Dá para concordar?.. 
Infelizmente, em muitas situações, parece que é isto mesmo. Na hora da necessidade, tudo o que podemos contemplar são as costas de amigos. A voz já não se faz ouvir. Seus olhos e suas mãos já não estão mais ao alcance. Às vezes, até seu caráter não é mais visível.
Ou melhor, daria pra dizer que, se assim for, na verdade, estes não eram os amigos. Pode ser que fossem relacionamentos superficiais, colegas de alguma coisa ou conhecidos. Em alguns casos, apenas pessoas com interesses mesmo. Amigos de verdade chegam quando os outros estão indo embora. Ajudam sem perguntar. E oferecem o ombro, as mãos, os olhos, o coração. Não as costas. Doam-se de corpo inteiro.
Algo que Grande Amigo também fez. Só que infinitamente mais. Jesus Cristo não nos deu as costas, mas carregou em Suas costas  nossos pesos e pesares.  Agora, podemos contar com Seu olhar, segurar em sua mão, até mesmo repousar em seus braços.
Um Amigo que nos ama, nos salva e nos cuida. Do topo da cabeça à planta dos pés.


 P. Lucas André Albrecht

sábado, março 26, 2016

quarta-feira, dezembro 16, 2015

Inclusivo



Imagine uma Oktoberfest com uma celebração genérica de ‘cultura’, sem celebração da tradição germânica, para não ser exclusiva com as demais.

Imagine o desfile de Carnaval incluindo o rock, o clássico e o sertanejo para não ofender quem não gosta de samba.

Imagine, no dia da consciência negra, não podermos mencionar Zumbi dos Palmares ou Nelson Mandela, para não ser exclusivo com ícones de outras etnias.

Imagine na semana da saúde bucal falarmos apenas do corpo humano em geral, para não melindrar médicos de outras especialidades

Imagine a festa do Oscar mencionando e celebrando apenas arte, cultura e expressão, sem menção ao cinema, para ser genérico com as demais artes.

Imagine as matérias e propagandas da Copa do Mundo falarem apenas do Esporte em geral, para ser inclusivo com as demais modalidades. E a das Olimpíadas, celebrarem genericamente a arte, música e outros talentos, para não parecer que falar de esporte é discriminar outras manifestações humanas.

Imagine no Natal não falar de Jesus Cristo, mas apenas das festas, Papai Noel, luzes e paz.

Bom, esta último sabemos que não precisamos imaginar.

Em alguns contextos, aparentemente se torna até regra e norma. Nada de Jesus Cristo e cultura cristã no Natal, isto pode ser ofensivo e exclusivo. Assim caminha a ‘evolução’ em nosso ocidente cristão. Até onde ainda conseguir caminhar.

De qualquer forma, o Natal, enquanto for Natal, permanece a festa cristã celebração do nascimento de Cristo. Para todas as etnias e culturas. Em todos os jeitos e ritmos. Na direção de todos os corpos e almas humanas. O Natal é a festa inclusiva por excelência, pois se trata de Deus oferecendo a todos o seu amor, paz e toda e qualquer palavra que, nesta época, queira celebrar tudo o que há de bom.

Ao mesmo tempo, uma festa exclusiva – só Um é o motivo e o centro de tudo. Mostrando ao mundo de que luz, paz, festa, celebração, alegria, cultura, tudo isso tem nome, centro e sentido na manjedoura de Belém.



 P. Lucas André Albrecht

segunda-feira, dezembro 07, 2015

Ver aonde vou - Projeto Líder de Louvor

Novo clipe da Banda do Projeto Lider de Louvor

"Ver aonde vou"



"Passos largos, passa a vida...

pela fé consigo ver quem eu sou.

Em Tuas mãos, a face erguida,

sou Teu filho e posso ver aonde vou!"

Dá o play e curte!

sexta-feira, novembro 27, 2015

Preenche o Ser - Oficial |

O presente certo é Cristo

- a certeza que Preenche o Ser!



quinta-feira, novembro 26, 2015

MUITO OBRIGADO - Dia Internacional de Ação de Graças

Todos apreciamos muito a gratidão como virtude. E dois podem ser os motivos principais

1. Basta pensarmos na ausência dela.
-Você ajuda alguém e a pessoa nem se lembra de um “obrigado”.
-Pessoas que nunca dizem ‘obrigado’ por 99 coisas, e reclamam daquela uma errada ou não tão boa.
-Conheço a história de uma pessoa que, em muitos anos de casamento, quase nunca sentou-se à mesa e elogiou o almoço da esposa. No entanto, sempre que havia algo errado, não hesitava em reclamar.

2. Quando alguém diz ‘obrigado!’, está exercendo algo extremamente essencial para a saúde da alma: humildade. Agradecer é reconhecer-se dependente, interligado. É manifestar vínculo. É apreciar o que outro tem de habilidoso, agradável, talentoso. Agradecer é ir na direção do outro, Um bem que está ficando escasso em nossa sociedade dos fones de ouvido, celular e TV em cada quarto. Quando alguém agradece sinceramente está dizendo: “Hei, eu me importo com você”.

Deus que nos deu e dá tudo o que somos e temos poderia pedir muita coisa em troca. Mas quer apenas duas palavras: Muito obrigado. Não porque o ego Dele precisa, mas porque nosso eunecessita. Para que o orgulho e egoísmo não tomem conta do coração e a fé faça a gratidão agir como o óleo do motor da humildade, mantendo-o funcionando por muito tempo.

Duas palavras que não custam muito e fazem a vida andar bem diferente.
Ah, e muito obrigado por ler até o final.


(P. Lucas André Albrecht)

quarta-feira, novembro 04, 2015

Resgate

Nestes anos de trabalho pastoral  - e talvez em minha vida toda -, creio que esta foi a ilustração mais completa que já vi, a partir do cotidiano, da mensagem central da Bíblia. O resgate dos 33 mineiros chilenos.

Os paralelos são vários. Talvez você possa listar outros mais:

-Pessoas presas em uma situação irreversível. Não podiam salvar a si mesmas.
-Por mais que tivessem pensamento positivo, força de vontade, e animassem uns ao outros, tivessem atitude... o final era previsível.
-De repente, vem do alto um sinal: Uma abertura é feita para chegar até aquele grupo. Alguém se preocupa com eles e vai providenciar uma maneira de salvá-los.
- Agora a esperança é real. Pois alguém lá em cima, em condições de fazer o resgate, vai fazê-lo.
-Eles não sabem o dia nem a hora. Mas sabe que devem confiar, esperar, e continuar mantendo a vida lá onde estão.
-O resgate chega. Por um caminho único e estreito. Não há outra forma de serem salvos daquela situação. Somente um caminho.
-Cada um deles foi salvo individualmente. Sem esforço ou mérito. Foram resgatados, puxados para cima, libertados da situação de medo, angústia e desesperança em que se encontravam.
-São tirados da escuridão, das profundezas para o alto, a superfície, a luz.

Uma nova vida começou.

Uma bela história de resgate humano. Mas ainda mais bela e perfeita é a história do resgate feito por aquele que é o próprio Deus! Jesus Cristo fez tudo o que não poderíamos fazer para nos habilitar a fazer muito, tudo o que pudermos, movidos pela fé Nele.

Por fim, ainda uma analogia: ao atingirem a superfície, além de encontrar familiares e amigos, os mineiros puderam abraçar ninguém menos do que o próprio presidente da República. Nós, quando formos chamados daqui onde estamos, vamos reencontrar nossos entres queridos que já partiram na fé. E, melhor do que isso: vamos poder abraçar, ver face a face, aquele que é o governador de tudo e de todos.

Ele, sim, de fato o Autor do maior resgate da História.


(texto originalmente pulicado em out, 2010)

 P. Lucas André Albrecht

sexta-feira, outubro 30, 2015

Entrega Total

Minuto Toque de Vida, da Ulbra TV.


video

quarta-feira, outubro 28, 2015

Ofendido

De certa forma, vivemos a era da indústria dos ofendidos.
 
Duas áreas podem ser utilizadas como ilustração deste fato. Uma delas, o politicamente correto. Se você não usar a palavra eleita para designar tal pessoa/conceito/lugar/escolha, está estabelecida a ofensa. Mesmo que, constantemente, as palavras mudem, ou seja, aquela que hoje é a correta, amanhã, já ofende. Outra, a expressão de ensinos bíblicos. Especialmente, nos temas mais polêmicos. Afirmar o que se crê e confessa ofende e agride sensibilidades e visões, nem sempre com contrapontos  e alternativas lógicas para as propostas enunciadas. Estou ofendido. E isto basta.
 
A indústria da ofensa tem crescido, em grande parte, porque ofender-se dá poder, gera representatividade. Ofender-se ajuda a vencer a discussão, já que, via de regra, tem ficado comum pensarmos mais por meio de emoções do que por palavras e construções lógicas. Então, qualquer palavra que toque uma corda sensível “ofende”, e a discussão continua somente dali para diante. Ou para baixo. Especialmente, se gerar o efeito manada.
 
Na sociedade fragmentada, muitas vezes, ideologicamente direcionada, tudo, ou quase tudo, ofende.
 
É evidente que existem situações de ofensa, momentos em que, realmente, somos ofendidos. Mas estamos caminhando para o exagero e o caos nos relacionamentos sociais, potencializados pela virulência descabida nas interações digitais
 
Felizmente, Jesus Cristo não foi assim. (mesmo tendo motivos, já que tudo de que foi acusado era falso). Imagine se, diante das pessoas famintas que ele alimentou, ele se ofendesse: “quer dizer que vocês estão aqui só porque dou comida, não é? Tá bom, vocês vão ver, não tem mais, então”. Diante dos fariseus: “Quer dizer que vocês, líderes, em vez de ajudar, estão contra mim? Isto é uma ofensa!” Antes de voltar ao Pai, quando os discípulos queriam saber de seu reino terreno. “Seus ignorantes, não entenderam nada? Assim vocês me ofendem. Não contem mais comigo, estou fora”.
 
Especialmente, diante dos que o prendiam, diante dos que o maltratavam, diante dos que, injustamente, o pregavam em uma cruz   Jesus tinha 50 mil motivos para ir a Roma processar todo mundo. Mas não fez. Ele foi O ofendido. E, em troca, ofereceu amor.
 
Seu processo estava definido, e ele o cumpriu até o fim. Cumpriu aquilo para que veio ao nosso mundo, com a finalidade de nos perdão. Isto é, não para se fazer de ofendido, mas para perdoar as nossas ofensas. Dar a oportunidade de vivermos a vida onde emoções são subordinadas a princípios. Por causa desta fé, somos chamados à prática que ofende a mentalidade humana:  ouvir, compreender, ajudar. Perdoar, respeitar...amar. Perdoarmos aqueles que nos têm ofendido.  Para então, nos casos realmente necessários, dar a uma ofensa uma resposta jurídica.
 
Na era da indústria de ofendidos, o perdão, que cobre nossa multidão de ofensas, não pode ser fabricado.
 
É oferecido. De graça.


(P.Lucas André Albrecht)