quarta-feira, junho 26, 2013

Martelinho de ouro

Por Marcos Schmidt

Nesta terça-feira, eu e minha esposa participamos de uma manifestação na BR 116 em Canoas. Buzinamos, reivindicamos, reclamamos. Protestamos contra o bloqueio de não poder ir nem vir por cinco horas, reféns no próprio automóvel. Clamamos contra a insanidade dos marginais que pularam no capô de nossa prisão ambulante, ameaçando-nos e  traumatizando-nos. Voltamos para casa atordoados com medo do futuro. Quanto ao meu veículo, um bom martelinho de ouro resolve.

Mas, e o Brasil? Creio que a solução pode ser a mesma. O martelinho de ouro é uma técnica artesanal usada por gente gabaritada para desamassar carros, sem precisar de serviços de pintura. Com ferramentas especiais e com suaves batidas e pressão, a lata volta ao seu estado original. É o que o nosso país precisa, de uma boa oficina com gente inteligente, íntegra, ajuizada, com boas intenções, que saiba "bater" no lugar certo os instrumentos da justiça com firmeza e suavidade, para que volte o brilho do futuro e que espelhe a grandeza da nação.

O grande perigo nestas horas é acelerar o carro danificado e passar por cima da multidão, revidar com mais insensatez, reagir no ânimo das paixões - igual à turba que depreda e saqueia. Aos cristãos, a Bíblia recomenda: "O servo do Senhor não deve andar brigando, mas deve tratar todos com educação. Deve ser um mestre bom e paciente" (2 Timóteo 2.24).

Outro risco nestas horas é maquiar a lata com massa de pintura, isto é, manter a ordem pela mão da ditadura - como acontece no âmbito espiritual, e que Paulo adverte: "Cristo nos libertou para que nós sejamos realmente livres. Por isso, continuem firmes como pessoas livres e não se tornem escravos novamente" (Gálatas 5.1). Mesmo porque, se o acesso a Deus é sem bloqueio através de Cristo, nos caminhos da política o melhor trajeto ainda é a democracia. Por isto o pedido: "Orem pelos (...) que têm autoridade, para que possamos viver uma vida calma e pacífica" (1 Timóteo 2.2)  


Rev. Marcos Schmidt
Comunidade Luterana São Paulo
Novo Hamburgo, RS

sexta-feira, junho 14, 2013

E é

Lembra quando seu pai ou sua mãe falavam para não aceitar presentes e doces de estranhos? Eu lembro bem, e lembro também que não foi uma nem duas vezes que este conselho foi repetido. Talvez não parecesse fazer muito sentido para nossa mente infantil, já que oferecer um presente parece ser uma boa e nobre atitude.

É conforme vamos ficando adultos que começamos a compreender o motivo desta recomendação.  Não devíamos aceitar a oferta porque é o tipo de coisa que parece boa; mas não é. Balas e doces poderiam ter drogas. Presentes poderiam ‘comprar’ nossa atenção para coisas erradas. Ou mesmo o medo maior, alguém com uma boa conversa poderia nos fazer desaparecer.

Muitos de nós já não somos crianças, mas o tentador ainda gosta de colocar no caminho ofertas personalizadas para, fazendo parecer bom, nos levar para o que é ruim.  Nossa atenção é chamada e muitas vezes ‘comprada’ por estas ‘nobres’ atitudes e ofertas convidativas, mas podem ter consequências nada boas de se digerir. Em alguns casos, ele aparece até mesmo na televisão como alguém que pensa com amor na educação das criancinhas, quando na verdade, é o pai da mentira e o causador de todo o mal, do inicio ao fim da vida.

Parece bom, parece verdade. Mas não é.

Esta é a hora de nos mantermos naquilo que, ironicamente, não parece bom, mas é. Afinal há momentos em que a Palavra, os conselhos de Jesus Cristo, parecem só estragar nossos planos humanos, já que se chocam com nossa vontade de ir além do que convém, ou com a noção humana do que é verdadeiro e aceitável. Mas é exatamente o contrário. Ele é o caminho para que tentações não passem do nome, e que provação vire aprovação e fortalecimento. Deus é o Pai da e de Verdade, que se fez conhecido pela fé ao nosso coração, para continuarmos a não dar atenção para o que é estranho ao nosso jeito de ser e viver.

Neste presente e nesta proposta podemos confiar sem medo. Pois o que vem de Deus sempre parece bom.

E é.


Rev. Lucas André Albrecht

terça-feira, junho 11, 2013

O Diabo é capaz

por Marcos Schmidt

Como você se sentiria, se numa campanha publicitária aparecesse o desenho um homem barbudo com seu filhinho, cantando: "Maltratar as criancinhas é coisa que não se faz, mesmo sendo Osama Bin Laden , disto nem eu sou capaz"? É lastimável, mas uma campanha tão importante que procura resgatar a qualidade do ensino nas escolas, tira nota baixa em lição fundamental: o respeito aos ensinos cristãos. Em 2003, quando o tema foi a violência infantil, a campanha já tinha praticado tal agressão religiosa. Agora ela retorna, desmerecendo a crença de grande parcela da sociedade, de crianças que recebem em casa e nas igrejas a educação básica da fé cristã - que o Senhor Jesus Cristo resgatou a humanidade da maldição do Diabo. É falta de sensibilidade ou campanha direta contra a fé cristã? Quando a Bíblia adverte: "Estejam alertas e fiquem vigiando porque o inimigo de vocês, o Diabo, anda por aí como um leão que ruge, procurando alguém para devorar" (1 Pedro 5.8), então é preciso reorientar as nossas crianças na frente da televisão: "O Diabo é capaz, sim, de maltratar as criancinhas".

Não é de hoje que certas propagandas, programas e entretenimentos na televisão fazem um grande malefício às crianças, jovens e adultos. O caminho não é simplesmente proibir, desligar, fugir do que acontece ao redor, mas conversar com os filhos e família, interagir e adquirir bom senso e sabedoria para enfrentar a situação. Até porque não é só contra os princípios bíblicos que sutilmente surgem os ataques, mas também contra a conduta e práticas cristãs. Os que ainda seguem o Caminho, a Verdade e a Vida (Jesus), precisam se dar conta que "a melhor herança" é aquela descrita na carta bíblica: "Assim esperamos possuir as ricas bênçãos que Deus guarda para o seu povo" (1 Pedro 1.4). Vale, portanto, a recomendação: "Vistam-se com toda a armadura que Deus dá a vocês, para ficarem firmes contra as armadilhas do Diabo" (Efésios 6.11).

Rev.Marcos Schmidt
Novo Hamburgo, RS

sábado, junho 08, 2013

Vale algo

(Adaptada da mensagem "Worth Something" da série "The Baloney Shop", com Ken Klaus.)

Os dois amigos se encontraram na sexta-feira á tardinha.
-Olha, vou te contar, estou muito mal financeiramente.
-E mesmo, o que aconteceu?
-Estou com 70 mil na minha conta.
-Perai, você está brincando. 70 mil?
-Sim. To muito mal, pois isso vale quase nada...
-Como assim, não vale nada? Parece ser um bom dinheiro. Dá pra comprar muita coisa boa com este valor.
-De qualquer forma, 70 mil é quase nada.
-Não sei se estou te entendendo...
-Me acompanhe. Quarta-feira houve uma manifestação de cristãos em Brasilia em favor de direitos constitucionais, especialmente a liberdade de expressão. Ouviu falar?
-Hum, acho que ouvi alguma coisinha.
-Por outro lado, tempos atrás houve uma marcha pela liberação do uso de drogas, com a presença de algumas centenas de pessoas. Você ouviu falar?
-Ah sim, esta eu vi, estava em todos os grandes veiculos.
-Certo. Assim como deve ter ouvido sobre diversas outras, algumas com muitas pessoas mas, na maioria, com algumas centenas de manifestantes. Ou até manifestações de um só, como aquele juiz que mandou tirar crucifixos de repartições públicas.
-Verdade, lembro destas e outras manifestações que ganharam destaque na grande imprensa.
-E desta dos cristãos, não ouviu falar nadinha?
-Bom, me lembro que li algo de alguém que era contra, chamando de oportunismo politico, e tal... Hum, então era por isso que você estava falando que 70 mil valem quase nada?
-Pois é... Aparentemente, vale muito menos do que 500, ou mil...Ou até 1 só.
O amigo pensou um pouco e comentou:
-Bem... eu acho que...bem, é possível que 70 mil seja um numero importante. Mas é possível que o numero de pessoas ou o conteúdo das outras manifestações seja mais importante ainda.
-Ah, então é possível que grandes veículos de imprensa possuam uma agenda alinhada com determinados valores; e, então, em vez de procurarem informar fatos da maneira mais equilibrada possivel, privilegiam algumas pautas, e outras, não?
-Hum, Isto é possível, sim.
-E desta forma, ajudam a conduzir a opinião pública em determinada direção?
-Sim, é algo que poderia acontecer....
Bom, mas pelo menos você tem aqueles 70 mil no banco, né? Deve estar feliz com a grana.
-Pior é que não tenho não, meu amigo. Aquilo foi apenas uma manchete estilo grande imprensa.



quarta-feira, junho 05, 2013

Verdades absolutas e tolerância

Excelente texto de Stephen Kanitz, especialmente para o contexto de Universidade(ciência e pesquisa) Confessional (Fé Cristã).

Do ponto de vista cristão, conhecemos a Verdade que liberta.
Mas do ponto de vista humano racional, reflexão fundamental.

VERDADES ABSOLUTAS e TOLERÂNCIA

http://blog.kanitz.com.br/tolerancia/#comment-9188

Teremos sempre guerras de fé, de crença, de ideologia? Um dos flagelos do mundo moderno é a crença em que alguns podem mudar o mundo, à nossa revelia, simplesmente porque acham que descobriram teorias que explicam e resolvem os nossos problemas.
A certeza dessas teorias os induz a tomar o poder por qualquer meio, inclusive o terror, para colocar as suas teorias e ideias em prática. “A ciência vencerá” tem sido uma bandeira de muito intelectual.
Quando essas teorias fracassam, especialmente as econômicas, políticas e sociais, a culpa é atribuída a uma variável que não foi considerada, uma relação de causa e efeito esquecida, ou a um erro do “modelo” empregado.
Não se questiona que talvez não exista o Santo Graal da verdade absoluta.
Mais pessoas morreram no último século em guerras ideológicas, como o fascismo, o nazismo e o socialismo – que tinham fundamentos elaborados por grandes intelectuais – do que em todas as guerras de conquistas territoriais promovidas por tiranos incultos.
Hoje, já se começa a desconfiar que ninguém jamais será o dono da verdade. Nunca mais haverá alguém que saberá o todo, nem Fernando Henrique Cardoso nem ninguém.
O mundo é por demais complexo para tal. Ninguém poderá mais afirmar que sabe o que é melhor para você, pois não existem verdades absolutas, somente hipóteses que ainda não foram refutadas, a sugestão de Karl Popper.
Kurt Goedel piorou ainda mais a situação quando provou que nenhum sistema ou teoria consegue provar as premissas nas quais se baseia. A melhor teoria depende infelizmente de uma premissa não
comprovável.
O que não significa que não possamos acreditar em mais nada. Simplesmente precisamos ter mais cuidado com aquilo em que acreditamos.
Professores gastam mais tempo apresentando teorias do que discutindo as premissas em que elas se baseiam, às vezes nem chegam a ser mencionadas.
No futuro, peça a seu professor para devotar mais tempo discutindo as premissas iniciais, pois normalmente é aí que reside o ponto fraco. É muito mais fácil provar os teoremas de Pitágoras do que discutir a premissa da existência de Deus.
Por isso, a verdade absoluta é sempre uma questão de fé, e fé não se discute. A verdade, como argumentam os existencialistas, é sempre uma escolha pessoal. A verdade, por incrível que pareça, é individual.
Para complicar ainda mais nossas incertezas e confusão, não há, segundo Goedel, cientista, acadêmico ou professor totalmente neutro, por mais que tente sê-lo.
O mundo seria menos confuso se todo professor ou intelectual informasse em que partido milita, antes de emitir uma opinião ou verdade absoluta.
Os conflitos religiosos e culturais serão sempre crueis e não se resolverão por diálogo. Não dá para provar quem tem a razão. As verdades religiosas são tão poderosas porque a premissa básica é sempre Deus, premissa inquestionável por definição.
Osama bin Laden se considera esclarecido e ético, opõe-se aos americanos que ele, e muitos ao redor do mundo, consideram antiéticos.
Ele consegue justificar plenamente as mortes que causou, porque “os fins justificam os meios”, frase repetida nas nossas universidades. Ele não tem dúvida de que está absolutamente certo, como muita gente por aí.
Embora o mundo não seja como você gostaria que fosse, lembre-se de que o seu ideal de mundo talvez não seja o que outros estão almejando. A solução dos conflitos não reside na guerra, mas na tolerância, ninguém sabe qual mundo é o melhor, por mais convicto que esteja.
Portanto, se você pretende fazer um mundo melhor, desconfie um pouco mais das teorias, aprimore seu próprio faro e senso de observação, reavalie de tempos em tempos as suas premissas, e seja muito tolerante.



Stephen Kanitz