quarta-feira, junho 25, 2014

Mordidas

O atacante de uma seleção nacional dá uma mordida num adversário, em rede mundial. Algo que não é tolerado nem no jardim de infância. Então, a apresentadora de um programa de TV noturno comenta: "Seria uma pena ele ser punido, a Copa perderia um craque". Mais adiante, diz que concorda com o jogador, quando, em entrevista pós-jogo, desculpou-se. "Na cancha,vale tudo."

Vamos ao replay: um jogador de futebol comete um ato não apenas ridículo e estúpido para um profissional, como também desleal e passível de severa punição. No entanto, ‘seria uma pena’ se a punição justa acontecesse, porque ele, supostamente, é um bom profissional no que faz.

E se ele tivesse jogando lixo na rua, sido não tão ‘queridinho’ com animais, furado fila, não devolvido troco, estacionado em local proibido ou vaga para deficientes, feito fila dupla, sonegado imposto para sobreviver, e outras tantas mordidas que vemos (ou até praticamos nós mesmos)... Aí, seria uma pena puni-lo também? Pois quando acontece conosco, os comuns, não se pergunta ou verifica se somos craques em nossa profissão. O ato é chamado pelo nome. Mais. Acabamos sendo culpados pela corrupção da toda classe política. Ainda, punição é exigida - se os moralmente superiores não o fizerem eles mesmos com os próprios dedos, linchando moralmente nossa reputação onde for possível, especialmente, na web.

Coam-se mosquitos e se engolem camelos.  As mordidas legais e as intoleráveis são selecionadas e separadas, validando uma moral torta, seletiva, corrupta. Pior se ajudar ainda a validar uma postura na qual alguns poucos iluminados decidem quais são as falhas aceitáveis, ou quais os lugares aceitáveis para serem cometidas, e quais as passiveis de prisão perpétua na cela da condenação popular.

Vamos contribuir bem mais com nosso ambiente de vida quando chamamos as coisas pelo nome. Existem contexto, situações, momentos? Sem dúvida. Mas até que ponto eles podem mudar certo e errado?

Tudo isso passa por uma mudança, esta sim, que precisa ser continua, no coração. É dele que procedem os maus desejos e ações condenáveis. Mas também é dele que, pela fé, procedem os princípios e orientações indicando a linha clara entre certo e errado. E o caminho que conduz à Vida.

É importante não perdermos de vista esta direção. Ou então vamos ficar sempre sem entender por quê cultura e moralidade vivem na zona de rebaixamento.


P. Lucas André Albrecht

segunda-feira, junho 16, 2014

Hora certa

Se há um relógio aí onde você está agora, olhe para ele e me diga: dá pra saber se ele está adiantado ou atrasado? Ou, até mesmo, se parou?

Acredito que sim. Mas a esta conclusão você não conseguiria chegar somente olhando para o relógio.

Se ele está marcando 3 da tarde, mas o sol já está se pôs, é certo que parou. Ou, no mínimo, atrasou. Se ele está perto das 9, mas o sol está no meio do céu, também não está marcando a hora certa. O que está ao redor dele orienta a conclusão a respeito de sua precisão. Tanto que, se você acordar em um quarto escuro, ligar a luz e olhar para um relógio na parede, não conseguirá saber se ele está marcando a hora certa. Precisará de outros ingredientes para chegar a esta conclusão.

Precisará de contexto.

As pessoas não são relógios. Mas contexto, para elas, também é fundamental.

Olhamos para determinada situação, pessoa, atitude, e já queremos descrever com precisão o que está acontecendo.Já temos a resposta pronta par a julgar o que vemos, definindo se ela se atrasa, se não adianta ou se está parada no tempo, no espaço, na vida. Afinal, com nossa experiência e sabedoria de vida, nossos diagnósticos não costumam errar...

Não nos damos ao trabalho de examinar um pouco de contexto, para saber se nosso julgamento, de fato, é justo e correto.

Quando aprendemos que pessoas não são peças na parede, mas vidas vividas, ativas em suas ações, e, principalmente, inseridas em contextos, começamos a enxergar mais do que vemos. Começamos a entender mais do que percebemos. E, o que é o objetivo maior, podemos começar a amar mais e julgar menos. Abraçar. Apoiar. Servir.

Dentro do contexto do amor de Deus, vidas não são feitas para viver em partes, mas olhadas a partir do quadro maior. O que Ele coloca ao nosso redor dá a precisão do cuidado daquele que deu a vida de Seu próprio Filho para que o pecado não nos atrasasse a ponto de nada mais adiantar.

E é no contexto deste amor que o nosso cuidado com nosso próximo também pode se situar. Pois contexto e cuidado nunca vêm na hora errada, são precisos quando precisamos ajudar.

E, se somos nós que estamos parados, não é preciso esperar hora certa. Pode ser agora mesmo a hora de começar a andar.



P. Lucas André Albrecht

sexta-feira, junho 13, 2014

Momento Feliz

Algumas semanas arás, uma moça do Texas, Courtney Ann Sanford, postou selfies e um pequeno texto em seu perfil do Facebook às 8 33 da manhã.

Às 8:34, equipes de resgate foram acionadas. Ela havia se acidentado e veio a falecer.

Conclusão: estava tirando fotos e postando enquanto dirigia. Perdeu o controle do veiculo e, infelizmente, aquele foi seu ultimo minuto de vida.

E qual o conteúdo do post? Ironicamente, ela dizia que aquele era um momento feliz de sua vida.

Provavelmente era mesmo. Mas pela imprudência e falta de atenção, acabou também sendo o último.

É mais um caso onde a tecnologia, literalmente, pode matar. O uso responsável dela nos traz muitos benefícios. Mas quando utilizamos qualquer ferramenta, e não apenas o celular. sem a prudência devida, os resultados podem ser ruins. Neste caso, até mesmo trágico. Mas mesmo quando não há morte física, podemos matar sentimentos, alegrias, relacionamentos... Em vez de os toques serem sinal de vida, acaba sendo raivosos, em teclados virtuais, que agridem pessoas reais.

Como podemos definir um momento feliz de verdade? As respostas podem ser muitas, mas arriscaria dizer que são aqueles em que estamos fazendo a coisa certa, na companhia das pessoas certas. Além disso, vivendo em fé, estamos também com Aquele que nos traz não apenas momentos felizes, mas a própria felicidade. E não só isso, também nos acompanha nos momentos tristes.

E mais, para evitarmos as imprudências que machucam, destratam e agridem nosso próximo, Ele orienta a direção a seguir e oferece o caminho a percorrer.

O tempo todo. Minuto a minuto.


P. Lucas André Albrecht