quarta-feira, agosto 31, 2016

Incompreensivelmente maravilhosa




Mais uma daquelas histórias incompreensíveis.

Nathan Weltzel, 29 anos, sofreu um acidente de carro  no dia 21 de agosto de 2016. Seu filho Isaiah, de 2 anos e meio, também estava no carro. Ambos sobreviveram. Passados alguns dias, Weitzel admitiu o inacreditável: ele tentou matar o filho. Entrou no carro e colocou o cinto em si mesmo, mas não no menino, nem o colocou na cadeirinha de segurança. Então, dirigiu a 120 por hora, até acontecer o acidente. A criança, apesar dois ferimentos, felizmente sobreviveu. O pai também. Está preso, sob fiança de 500 mil dólares.

O motivo? Weitzel achou que não conseguiria lidar com a responsabilidade de ser pai.

O interessante é que podemos encontrar histórias parecidas em mais famílias do que podemos imaginar. Talvez até na nossa.

Nem todo mundo pega filho, esposa, avô ou sobrinho e coloca num carro em alta velocidade. Mas as tentativas de matar a auto-estima, a confiança, a segurança e a alegria de pessoas próximas são atitudes tão frequentes que chegam a assombrar. São palavras, gestos, atitudes; é a indiferença, o egoísmo, a maldade. Em alta velocidade e ferocidade. Uma falta de responsabilidade que vai deixando pessoas próximas presas a um “sinto sem segurança”. E elas podem, a qualquer momento, sofrer ferimentos que vão além do que alguns dias numa cama de hospital possa curar.

O interessante, ainda, é que podemos encontrar uma história semelhante nas páginas da Bíblia.

Deus, o Pai, resolveu entregar seu filho à morte. Enviou a Jesus Cristo para sofrer e morrer em uma cruz, inocente, no lugar do ser humano – este sim, culpado de correr tão rápido e desrespeitar tanto a lei que não tinha mais solução. Nem sob  fiança. Incompreensível,.. Mas, aqui, a história é diferente. O Filho sabia a que veio e aceitou a vontade do Pai, voluntariamente, Por amor. O Pai estava cumprindo Sua promessa – salvar e cuidar de Seus filhos. Sem fiança, sem preço. De Graça.

Esta mesma história transforma vidas, por meio da fé no Filho. E impulsiona a transmitirmos segurança, confiança e amor às pessoas que estão à nossa volta. Especialmente as mais próximas, que são aquelas que mais corremos o risco de ferir. Seguros nos braços deste Pai de amor, seremos capazes de lidar com a responsabilidade de perdoar, amar, viver e ajudar. Transmitir segurança, gerar confiança, mudar o mundo de alguém. Fazer coisas que muitos até julgarão incompreensíveis.

Mas que será mais uma daquelas histórias incompreensivelmente... maravilhosas.

sexta-feira, agosto 26, 2016

Inveja e justiça



Existem linhas que não são fáceis de se traçar em nosso comportamento diário. Um delas é aquela que tenta separar desejo de justiça de inveja disfarçada.

Focar o defeito do outro acontece por invejar as virtudes que ele tem?
Clamar por justiça contra quem tem muito é por inveja de não ter tanto?
Tentar achar erros em quem está indo bem não é por não conseguir entender como a sua própria existência anda tão mal?

Perguntas. Que podem ter resposta A ou B. Mas o certo é que nossa justiça é falha. Nossa inveja é que, normalmente, não. Ela sabe encontrar caminhos em nosso coração para, em muitas situações, a vestirmos com belas roupas e utilizarmos como pretexto de justiça.  E é possível que, com alguma frequência, nos peguemos dedicando tempo a denúncias sobre o que está ‘lá fora’ somente para tentar esquecer do que nossa própria consciência, aqui dentro, não para de apontar.

Justo mesmo, só Deus. Corretíssimo. E sem sombra de inveja.

Entretanto esta afirmativa não está aqui para dizer que Ele mata ou castiga, ou outro tipo de ameaça. Ele perdoa. Salva. Cuida. Seu amor não tem limites para cuidar do nosso coração.

E Ele nos fortalece para bloquearmos as vias utilizadas pela inveja com as barreiras de perdão, tranquilidade, gratidão. Um caminho muito melhor para a paz de coração. Aí, quando a inveja perde espaço, a justiça pode mostrar com mais propriedade o que se destina a fazer. Pois neste caso ela não é embasada pelo mau sentimento de querer prejudicar, mas sim pelo grande principio de procurar fazer o certo e, principalmente, ajudar.

Contra a inveja vestida com outras roupas, portanto, o melhor caminho é a Verdade. Jesus Cristo,

Pode ser crua, mas não necessariamente nua.  Vem vestida com o manto do amor.



 P. Lucas André Albrecht

sexta-feira, agosto 19, 2016

No longo prazo


Na primavera de 2016, a cidade de Fort McMurray, no Canadá, enfrentou uma catástrofe. Um incêndio florestal de grandes proporções começou a avançar para a cidade, destruindo casas e tirando todos os cerca de 90 mil pessoas de suas residências. O incêndio foi tão gigantesco que podia ser visto do espaço. Felizmente, não houve mortes. Ao menos não diretamente. As duas fatalidades que aconteceram foram em um acidente de carro de pessoas que estavam indo embora da região.

Em uma entrevista relacionada a este evento, um líder de associação de bombeiros daquele pais alertava para algo que não costumamos ver, nem ouvir falar: o fato de que os bombeiros, em função do trabalho, adquirem problemas de saúde a longo prazo, especialmente câncer. Quando estão combatendo o fogo , estão bem protegidos e não são afetados por quase nada, diretamente. No entanto, estariam expostos a elementos cancerígenos que vão se manifestar apenas alguns anos depois. Não há muito o que se fazer a respeito, relatava o entrevistado, já que é algo inevitável, um risco inerente à profissão. A busca do grupo era, por, ao menos, alguma forma de compensação para o bombeiro ou para sua família.

Enquanto lutamos contra os focos de incêndio diários que vão surgindo, no longo prazo, há um elemento letal, que vai nos conduzir à morte. O pecado. Assim, mesmo que, aparentemente, vamos tendo vitórias, continuamos expostos ao efeito dele. Quando agimos apenas em função de nossos sentimentos de momento, instintos ou arrogância, até podemos debelar brigas cotidianas. Mas no longo prazo, a doença que vai tomando conta de nosso caráter e de nossa alma resseca nosso coração. O fim vai chegar. E, neste caso, não há qualquer tipo de compensação possível à força de nossas mãos.

Felizmente, para esta doença não existe compensação – existe cura. Jesus Cristo deu sua vida para que a nossa fosse salva. Ainda vamos morrer nesta vida, é verdade. Mas ganhamos a vida eterna. E ganhamos, ainda, a sua presença e sustentação para enfrentarmos os incêndios diários a partir de outra perspectiva. Diminuindo o espaço para a amargura, frustração e “vitória a qualquer preço”. E aumentando as possibilidades de que a Água da Vida, presente em nossos corações pela fé, flua livremente em nossos relacionamentos.

Pois sabemos que a cura definitiva está providenciada e que, no longo prazo, não teremos complicações.

Ao contrário: perfeição e alegria sem fim.



 P. Lucas André Albrecht

  

sexta-feira, agosto 12, 2016

O Carpinteiro e os jardineiros

 


Que tipo de pai mais precisamos? Jardineiros ou carpinteiros?

Acompanhei entrevista com a psicóloga Alison Gopnik, (Universidade California Berkeley, EUA), que escreveu o livro “The Gardener and the Carpenter” (O  Jardineiro e o Carpinteiro),utilizando estas duas metáforas para falar a ação dos pais em relação aos filhos. De uma maneira muito resumida, o ponto é que, às vezes, os pais agem como “carpinteiros” com os filhos. Planejam, programam, executam e esperam pelo resultado previsto. No entanto, este modelo, em muitos momentos, gera expectativas exageradas e gera frustrações desnecessárias. Pois sabemos que é impossível moldar uma pessoa para ser o que queremos. Por outro lado, uma abordagem de “jardineiro’ leva em conta a importância de cuidar, podar, regar, acompanhar... mas lembrando sempre que, a cada estação, pode haver uma surpresa, algo novo, algo diferente, que não havia sido pensado, previsto e, muito menos, planejado. E é preciso lidar com esta realidade.

No fim da conversa,  a entrevistadora procurou  resumir a ideia : “Poderíamos dizer então, que precisamos ser menos carpinteiros, isto é, tentar desenhar e executar o futuro dos nossos filhos, e mais jardineiros - ser presentes com amor incondicional, cuidado e amor.

Uma metáfora interessante para pensar a missão dos pais, - especialmente do pai, neste segundo domingo de Agosto. Não é por mal, mas, muitas vezes, depois de visualizar e programar a vida dos filhos, tentamos, a partir daí, cuidar para que a execução seja perfeita. Mas não é difícil de prever os atritos, decepções e frustrações, de parte a parte, que daí podem resultar. Por outro lado, quando nos preocupamos mais em estar presentes, semeando amor incondicional presença ,segurança e cuidado, damos mais oportunidade para que os filhos se aventurem, busquem suas conquistas, desenvolvam suas vidas a partir desta segurança que sentem com alguém que sempre vai estar lá por eles.

Isto me fez lembrar do Carpínteiro de Nazaré. Ele veio para executar a obra cuidadosamente planejada pelo Pai. E assim aconteceu. Ele obedeceu perfeitamente. Tudo para semear no coração humano o amor incondicional do Pai por seus filhos, estendendo perdão, paz,.salvação e segurança para a vida. Cuidados e guiados por seu amor, podemos crescer, nos aventurar, aprender, cair, pedir perdão, recomeçar. Tudo porque temos o Jardineiro que cuida de cada passo que viermos a dar.

Pais jardineiros podem lançar sua fé e confiança incondicional no Carpinteiro. Jesus Cristo oferece a cada coração as sementes de Sua Palavra, que dão a única esperança real e segura – Seu amor. E dá a oportunidade de sermos únicos, diferentes, como filhos e como pais. Jardineiros que confiam o cuidado e o crescimento ao Criador.

Pois sabemos que planejamento, sonhos e resultados sempre podem falhar.

Seu amor incondicional, não.

Ele sempre vai estar lá por nós


P. Lucas André Albrecht

quarta-feira, agosto 03, 2016

O essencial



Nem sempre na vida não prestamos atenção nas coizas mais importantes. E isto não é exeção, mesmo que não queiramos fazer. Por isso que em Jesus Crito encontramos a paz que tanto nos fas bem.

Quantos erros de português nesta frase inicial, não? Pelo menos 3, de cara. Mas agora, diga: você também notou a falta de alguma coisa em alguma palavra? Por exemplo, de que falta um ‘s’ na palavra Cristo?

Alguns podem ter notado. Mas tantos outros, não. Os erros de português saltaram à vista, mas o erro no nome de Jesus Cristo, talvez, passou despercebido.

Esta ilustração pode lembrar os momentos em que focamos erros secundários, pequenos ou grandes, mas não damos atenção ao mais importante. E assim, o que é essencial acaba fazendo falta em nosso cotidiano. Principalmente, se o que for ignorado é a nossa imperfeição inata, que nos afasta de Deus. 

No texto, faltou apenas um ‘s’ em Cristo. Mas quando nos falta atenção à vida de fé, muito mais pode faltar. E então podem sobrar medo, angústia e falta de direção.

Deus se ocupou do mais importante – nos dar perdão, por meio da fé – para nos dar o essencial. Vida. E, também, atenção e cuidado na vida diária. Renovados pelo Seu amor, podemos nos ocupar de reparar os erros, por meio de arrependimento, fé. Motivados por Ele, que nunca deixa faltar o ‘s’ de serenidade, segurança.

E sorriso.


(Inspirado em uma ilustração do
Rev. Paul Lantz, Detroit, EUA)


P. Lucas André Albrecht