Situação no Quênia

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Todos estamos acompanhando pelas noticias internacionais a difícil situação do Quênia, país da costa leste africana. Neste fim de semana, uma igreja foi queimada com pessoas dentro... 50 morreram.

O colega pastor Carlos Winterle, ex-presidente nacional da Igreja Luterana, e a esposa Lídia estão a um ano trabalhando em Nairóbi, capital queniana. Ele escreveu contando um pouco da difícil situação que vivem no momento. Estão praticamente presos dentro de casa desde o Natal. Saídas, somente para as coisas muito necessárias. Mas também expressam sua confiança e certeza de presença e cuidado de Deus.
Confira o relato.

"Situação no Quênia

Queridos amigos e irmãos em Cristo:

Temos recebido muitas manifestações de apoio, orações, preocupações, por e-mails e pelo msn, devido à situação no Quênia, principalmente depois das notícias no Jornal Nacional sobre a queima de uma igreja com cerca de 50 mortos. MUITO OBRIGADO! Nos sentimos fortalecidos e animados no meio da insegurança gerada no país. Queremos, através desta, fazer um registro das nossas experiências diante disto tudo, e pedir que continuem a orar por nós, pela igreja cristã no Quênia e pelo país, para que seja restabelecida a paz e a ordem:

Dia 27 de dezembro ocorreram eleições no país; tranqüilas. Mas a demora na apuração dos votos deixou o povo nervoso e desconfiado. A disputa entre os dois principais candidatos era parelha. O Presidente Kibaki, re-eleito, é da tribo dos kikuius; o outro candidato, Raila, é da tribo dos luos. A questão tribal aqui é muito forte ainda e as rixas são antigas. Ainda antes da promulgação do resultado já aconteceram manifestações de violência, queima de casas e barracos. Tivemos que suspender os cultos do dia 30/dezembro por questões de segurança. Telefonamos para vários congregados no sábado à noitinha, e estavam todos trancados em suas casas, não saindo nem para comprar leite para as crianças, pois a violência imperava nas ruas em que moram. O Pastor Omodhi, responsável pela paróquia e pelos cultos em Swahili, me disse que não podia sair de maneira alguma de sua casa.

Com a promulgação do resultado, dando a vitória ao Pres. Kibaki, começaram as acusações de fraude e irregularidades na apuração dos votos. O perdedor não se conforma e acirra os ânimos dos seus partidários. Neste contexto, multiplicaram-se as manifestações de violência. Para entender um pouco melhor a história política do país, favor ler a reportagem no site:

http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI2192453-EI294,00.html

Lídia e eu estamos reclusos em casa desde o dia 26/Dezembro. Moramos em lugar seguro e tranqüilo, graças ao bom Deus. Só saí no dia 31 para fazer algumas compras no super-mercado (5 km aqui de casa) e hoje de manhã; mas a situação é de um silêncio constrangedor no mercado, todos apressados, comprando alimentos para fazer estoque em casa, prevendo dias piores. Pão, frutas e verduras, à medida que são colocados no balcão, desaparecem nas mãos dos consumidores. No país visinho, Uganda, já começa a faltar combustível; pois Uganda depende do abastecimento via-rodoviário/Quênia.

Tivemos que suspender o culto do dia 1º de Janeiro também (culto à noite, nem pensar!!!). Espero que possamos ter o culto no próximo domingo, Epifania.
Todos estamos acompanhando pelas noticias internacionais a difícil situação do Quênia, país da costa leste africana. Neste fim de semana, uma igreja foi queimada com pessoas dentro... 50 morreram.
Hoje a situação parece mais tranqüila e muitos voltaram ao trabalho. (A semana passada toda foi feriado: Natal, 2º Dia de Natal, dia de eleições, dia pós-eleições, dia após promulgação do resultado, Ano Novo.... etc. etc.). O candidato derrotado está convocando um grande comício para amanhã no parque público nos fundos na nossa igreja, no centro da cidade; ele quer se proclamar Presidente com o apoio popular, sob a alegação de fraudes na apuração; mas estão procurando demovê-lo desta idéia, para não causar mais tumulto.
Vamos ver no que vai dar.

Cada congregado com quem falamos por telefone tem uma história para contar dos fatos no bairro em que mora. A maioria mora em casas muito simples e em barracos, na periferia da cidade e nas favelas. Vamos continuar orando para que a paz volte.

Agradecemos novamente o carinho e as manifestações que recebemos. Deus guarde a todos neste ano que está iniciando e nos permita dar continuidade ao trabalho para o qual fomos chamados aqui.

Pastor Carlos Walter e Lídia Winterle

Nairobi, 02 de janeiro de 2008"
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