Cartão amarelo


Ontem foi o último dia de competições do Azul x Branco, tradicional evento envolvendo os estudantes de Teologia do Seminário Concórdia. São modalidades de esporte, cultura e entretenimento neste evento que acontece todos os anos. Como preliminar do jogo final, como também já é tradição, ocorre o futebol dos pastores já formados.

Mas não pense que jogo de pastores é só ‘amém’ e ‘desculpe’. Eu, por exemplo, no segundo tempo da partida, após reclamações contra o árbitro, recebi cartão amarelo. Até poderia ter alguma razão na minha indignação, mas o fato é que o árbitro tem este direito, até dever, de fazê-lo, caso contrário pode perder o controle da partida.

Assim, a partir de então eu fiquei mais quieto. Quem joga futebol sabe que, se continuar reclamando ou fizer alguma falta mais dura, vem o segundo amarelo e, consequentemente, expulsão de campo. Eu poderia ter continuado a reclamar e me achar dono da razão. E até talvez teria feito isto caso não houvesse o cartão amarelo. Mas este gesto do comandante da partida me fez pensar melhor e procurar apenas jogar bola.

Quando Deus coloca ‘cartões amarelos’ em nossa vida, também é oportunidade para reflexão. Pode ser até que achamos que estamos com a razão, que não precisamos maneirar, que nada precisa mudar. Mas se Ele permite que uma advertência entre em nosssa vida, nunca é por acaso. Sempre existe um para quê. E, quando não damos ouvidos às advertências, frequentemente o sinal fica vermelho à nossa frente. E pode acontecer o pior.

Ainda bem que a regra do jogo de Deus é um pouco diferente do futebol: só tem cartões amarelos. Ele aplica, um, outro, depois outro... e quando nos arrependemos e confiamos, a conta é zerada. No jogo da fé, cartão vermelho só existe quando auto-aplicado, ou seja, se algum jogador pedir pra ir embora. Pois pelo Pai, nós vamos continuar sempre jogando. Cometendo faltas e reclamando às vezes é certo. Mas também fazendo boas jogadas e sendo solidários com os companheiros de equipe. Jogando bonito e correndo em direção à vitória.

Pois enquanto estamos jogando neste mundo, Deus não quer ser juiz. Ele quer é ser parceiro no ataque, nos deixando de cara para o gol.
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