de mãos dadas

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Coloque duas pessoas de opiniões bem diferentes, ou opostas, para discutir. Uma é gremista, outra, colorada. Uma é pró-aborto, outra, pró-vida. Uma gosta de Beatles, a outra, de Rolling Stones.
O Pastor Grasel, nosso capelão geral da Ulbra, comentou ontem sobre este exercício interessante, que ele conheceu numa das aulas em seu mestrado.

Primeiro, deixe-as uma de costas para a outra, e as estimule a discutir por um tempo. Observe a reação.

Depois de um tempo, coloque-as de frente uma para a outra. E então peça para se darem as mãos e continuarem a discussão.

Se elas toparem dar as mãos e continuar discutindo, é quase certo que o resultado será o seguinte: voz mais baixa, opiniões mais ponderadas. Menos agressividade. Aumento na consideração pelo outro. Ninguém necessariamente vai mudar de posição. Mas de atitude, a chance de mudança é grande.

Discutir de mãos dadas. Que fórmula impactante para um casal. Que gesto surpreendente para adversários políticos. Que discussão respeitosa entre pessoas de convicção doutrinária diferente.

Tudo bem, sempre tem quem defenda que contra algumas posições precisamos ser veementes . Não dá pra baixar a voz, é necessário ser forte. Mas o que também é bastante evidente hoje em dia é o estimulo ao confronto, bate-boca, o 'mostrar pra ele/a'. Isto é compreensível, já que, num mundo onde o que existe é o que aparece (na TV, de preferência),.'partir pros finalmentes' é uma opção interessante de existir para a sociedade. Pois todos sabemos que briga e confusão costumam dar mais audiência do que paz e amor. Nas novelas, por exemplo, as mocinhas são mais facilmente rejeitadas pelo público do que as vilãs.
Bem, talvez às vezes seja necessário ser firme. Mas que estas vezes podem ser a minoria menor absoluta mínima, podem. Dá pra incorporar como padrão o discutir de mãos dadas. Se não de fato, pelo menos de coração. Este é o exemplo material perfeito da mistura entre coragem e consideração. Coragem sobre o que falar. Consideração no como falar. E nos leva a resultados surpreendentes.

Se nos dermos conta, é de um jeito parecido que Deus também lida conosco. Ele repreende, aponta nossos erros, nos mostra quando estamos errados. Sem esconder nada. Mas Ele jamais solta nossa mão. Quer dizer, Ele jamais tira Sua mão de sob os nossos pés. Se nós é que quisermos pular fora, esta escolha é possível. Mas no que depender Dele, falar em erros tem um único objetivo - levar ao perdão e ao recomeço.

Seja de fato, ou de coração. Discutir de mãos dadas é o jeito certo de qualquer discussão ter dois mocinhos no final.
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