sexta-feira, julho 06, 2007

sentimento sob princípio

Todo mundo tem seu dia. Uns, com a situação política. Outros, com o trânsito. Muitos com o chefe; dezenas, com a fila. Hoje foi meu dia. Irritação profunda lá pelas tantas da manhã, motivada por alguns pequenos eventos.
Tá certo, todos passíveis de solução, e nenhum deles pior do que o Caos aéreo, Londres, ou Darfur. Mas ela estava lá. Confesso, me irritei mesmo.

Como ela é perigosa, não? A ira é um dos piores sentimentos de momento, pois tem grande potencial para não prejudicar só quem a sente. Dependendo da força, status ou hierarquia, pode causar grandes estragos.O pior deles, em minha opinião, é o sair da estrada. Em momentos assim temos vontade de jogar pra cima, de largar de mão, de gritar. O clássico "se é assim, não brinco mais", da infância, e sair correndo pra dentro de casa. Podemos tomar decisões que jamais tomaríamos em condições normais por saber do prejuízo que causam.

Subordinar um sentimento de momento a um princípio mais elevado é uma das artes mais difíceis, menos praticadas e mais eficazes quando se trata de não perder o foco. Pense no prejuízo que um jogador expulso por ato impensado causa na busca do título. Pense no mal causado à viagem do condutor que se irrita com um detalhe do trânsito. Pense no estrago diário causado por pessoas sob o mesmo teto quando, raivosamente, desferem golpes verbais que vão minando o amor, respeito e por fim, o relacionamento como um todo.

Foi nisso que fiquei pensando: que princípio é maior que o que estou sentindo? E o principal que sempre vem à mente é "fazer o que é certo dá mais certo do que certas atitudes impensadas". Dá mais certo continuar pregando com o martelo, mesmo depois de atingir a unha, do que se irritar e tentar com as mãos.

Trabalhar essa subordinação consecutiva ajuda. "Vou deixar isso passar porque aquilo é muito mais importante". Pensar no todo diminui um pouco a importância de algumas peças. Quem consegue olhar a mesa inteira, mais facilmente releva a alface ou a ervilha que não quer comer.

A conclusão? Que bom que Deus é bom conosco. Não reage conforme nosso sentimento de momento, mas mantém-se firme no Seu princípio de perdoar, acalmar e reorientar.

É dificil. Mas como é muito melhor!
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