Gastar menos

Recentemente, alguns grupos cristãos têm divulgado a prática do jejum, que não é estranha ao cristianismo, mas que nem sempre é feita pelo motivo certo.
Jejuar não salva ninguém, nem mesmo acelera a fila dos pedidos celestes. O objetivo do ficar sem alimentação é exercer o controle. Se você for capaz de controlar um impulso tão básico como a fome, fica mais fortalecido para enfrentar outros impulsos e vontades.

E nós estamos precisando mesmo, numa área muito básica da vida, o dinheiro. Ou melhor, o uso dele. Segundo pesquisa divulgada hoje, pelo IBGE, 85% dos brasileiros gastam mais do que ganham e precisam de financiamentos para continuar consumindo. Talvez nada mexa mais conosco do que o dinheiro na mão, na conta corrente ou mesmo no crédito parcelado. E pela minha leitura da pesquisa, não é nossa necessidade que ele mais satisfaz. São os desejos e vontades.

Se o jejum é uma prática que aparece na Bíblia, uma fonte de força para o exercício consciente da vontade também. "Se o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males", também "eu trato meu corpo duramente e o obrigo a ser completamente controlado", diz o autor Paulo. É, algumas vontades precisam levar uns socos da fé para aprenderem a ficar quietas.

E talvez o impulso de gastar sem necessidade seja uma delas. Fazer um sacrifício para não precisar virar refém monetário de instituições, dos juros, do consumo como terapia. E sacrifício, na melhor definição que conheço, é "abrir mão de algo bom por algo melhor" (Stephen Covey). Ou seja, se gastar hoje é bom, não ter dividas amanhã é muito melhor.

Já que não praticamos mais tanto o jejum, talvez o abster-se de gastar, ao menos mais do que se ganha, seja a grande ferramenta para ajudar no crescimento pessoal. Quem sabe até mais do que a ausência de comida. Aliás, comer pouco, hoje, é até moda. Bem que, para que a vida financeira não acabe virando medo, gastar menos do que se ganha também poderia virar dieta regular.
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