olhos abertos

Juang estava louco de irritação, constatando como era infeliz. Seu carro havia estragado, sua gripe piorou. Não bastasse isso, o trabalho só acumulava. E o futebol do fim-de semana, por causa disso, já estava comprometido.
Resolveu então ligar para o primo, Yang, pra ter alguém com quem desabafar.
-E aí primo, como vão as coisas? Alguma novidade sobre a Chang?
-Você nem vai acreditar no que aconteceu com ela! – a voz era de emoção intensa.
-O que? Conta!
-Cantei hoje no hospital, como sempre faço. E sabe o que aconteceu? Ela abriu os olhos e falou meu nome! Não é incrível?

Este dialogo é fictício. Mas poderia ter acontecido para o chinês Yang, da província de Jiangsu, no leste da China, esta semana, conforme esta matéria de o Globo on-line . A mulher dele, Chang, está há 10 anos em coma. Quando os dois eram jovens, uma das coisas que ela mais gostava de fazer era cantar. Desde a doença, com a esperança de despertar a mulher, o marido então aprendeu a tocar teclado e passou a compor e cantar canções para a esposa.
Ontem, logo após ouvir um destes temas, segundo os médicos, ela abriu os olhos e disse “claramente” o nome do marido.

Ela não saiu andando. Não ganhou na mega sena. Não foi promovida. Ela não viajou para o Caribe. Chang simplesmente abriu os olhos de um estado de coma.

Costumamos achar que ser feliz é sentir e não ser de um jeito. Por isso que reclamamos até de unha quebrada; não estamos mais bem... Era um sentimento, não um princípio de vida.

Mas, engano nosso. Felicidade não é um estado de espírito, é uma maneira de viver. Não é senti-la instantânea, baseada em pilulas, bebidas ou prazeres físicos, mas é um ser constante de quem está ligado a Deus. Até em meio à dor. Até em coma. Alguém duvida que uma mãe, quase gritando de dor prestes a dar à luz, está cheia de alegria?

Dor e dificuldade às vezes. Alegria, sempre. Só a voz de Deus para nos abrir os olhos para esta certeza. Para nos fazer ser alegres, somente o som do seu amor.
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