Aceitação que transforma
Vivemos em um tempo em que a palavra aceitação ganhou um lugar de destaque. Aceitar sentimentos. Aceitar emoções difíceis. Aceitar pensamentos sombrios. A proposta costuma vir acompanhada de um convite à não condenação: não julgue o que você sente, apenas reconheça, observe e deixe passar. Há pesquisas que mostram benefícios psicológicos nesse caminho. Pessoas que não brigam com suas emoções parecem reagir melhor ao estresse. Há menos desgaste, menos explosão, menos culpa imediata. E, nesse sentido, não há como negar: existe algum valor nisso. Mas, ao ler com mais atenção esse tipo de proposta, algo começa a incomodar. Não no campo da psicologia, mas no campo mais profundo da vida humana: o lugar onde lidamos com culpa, sentido, perdão e esperança. Porque, no fim das contas, quando tudo se resume à aceitação, o peso recai sobre a mesma pessoa de sempre: eu. Sou eu quem precisa lidar com o que sinto. Sou eu quem precisa sustentar minhas próprias sombras. Sou eu quem precisa en...
