A luz veio ao mundo
A ciência nos diz algo curioso sobre a luz. Nada que tenha massa consegue alcançá-la. Podemos acelerar, nos aproximar, chegar muito perto — mas nunca atingir sua velocidade. Para isso, seria preciso deixar de ser matéria e tornar-se luz. Algo impossível.
Esse limite físico acaba servindo como uma imagem poderosa da nossa vida espiritual.
Muitas vezes, vivemos como se precisássemos alcançar Deus. Como se, com esforço suficiente, maturidade espiritual ou disciplina, pudéssemos finalmente chegar até Ele. Tentamos acelerar a vida cristã, corrigir falhas, melhorar o desempenho, crescer mais rápido.
Mas sempre há um limite. Sempre há algo que escapa. Sempre falta.
Por isso, o Evangelho começa com uma notícia que muda tudo: não fomos nós que chegamos até Deus. Foi Deus quem veio até nós.“Quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou Seu Filho.”
(Gálatas 4.4)
A luz veio até nós.
Jesus não permanece distante. Ele entra na história. Assume carne, peso, cansaço, dor. O eterno se faz temporal. O Criador se faz criatura. A luz entra na escuridão, não como conceito, mas como pessoa.
Ele vive a vida que não conseguimos viver.
Carrega o pecado que não conseguimos carregar.
Enfrenta a morte que não conseguimos evitar.
Ressuscita com a vitória que jamais poderíamos conquistar.
Não precisamos nos tornar luz.
Não precisamos alcançar o impossível.
A luz já veio.
E permanece.
Em dias claros ou escuros, rápidos ou lentos, nossa esperança não está em quão bem avançamos espiritualmente, mas em como Cristo permanece conosco. Ele não nos encontra onde deveríamos estar, mas exatamente onde estamos.


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