Saramago, Deus e propósitos

Recentes declarações do escritor José Saramago, a propósito do lançamento de seu novo livro, mostram mais uma tentativa do autor de praticar algo fora de seu alcance: exegese bíblica. Esta área da Teologia se aprofunda na interpretação do texto bíblico, procurando, dentro da ‘floresta’, entender ‘cada árvore’. E também as ‘árvores’ em seu contexto. Como ambientalista intelectual, portanto, Saramago entra neste mato sem cachorro e acaba se perdendo na densa vegetação.

Tudo bem, não li o livro. Mas por declarações como as que fez já se entende com que propósito o autor costuma bater seu machado: “Não é contra Deus que escrevo, porque ele não existe. Escrevo contra as religiões que se definem contra a liberdade", “A Bíblia é um manual de maus costumes", deve ser mantida “escondida das crianças” (fonte). O escritor afirmou ainda que o Papa Bento XVI, pelo fato de nunca ter visto a Deus, nem mesmo ter sentado para tomar um café com ele, prova seu absoluto cinismo intelectual.

Para o problema ‘Deus’, que é universal – todos se confrontam com ele e dão alguma resposta -, Saramago também teria a sua. Se bem que declarações como as dele são óbvias, esperadas até de alguém que se diz ateu tentando interpretar a Bíblia. Se eu fosse fazer tal exegese superficial, por exemplo, do Alcorão, dos Upanishades ou de um livro de Saramago você certamente poderia esperar também várias besteiras e equivocos.

Diversos comentários poderiam ser feitos, mas ficamos apenas em um: na verdade, o que Saramago faz é positivo: ele confirma a Bìblia. A Palavra mesmo destaca que o descrente diz no seu coração: “Não há Deus” O estranho seria ele aceitá-la. Alguém sem fé ler a Bìblia e desprezá-la nada mais é que reafirmar o que a própria Palavra diz..
Ou seja, as opiniões deste José vêm a reforçar aquilo que ele julga destruir. A história do Filho de José, apesar de passar pelo intelecto para ser compreendida, só pode ser lida de verdade com outra inteligência, a qual revela seu propósito. E esta não é a das palavras, articulações e opiniões meramente humanas. É Presente de Deus.

Por fim, como vemos, a Bìblia continua viva, útil e servindo para muitos propósitos. Inclusive para um ateu vender seus livros.
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