Marcação cerrada


por Júlio Jandt



Certa vez, um grupo de escoteiros foi realizar um acampamento de verão. Chegando ao bosque, o chefe do grupo começou a inspeção nas mochilas dos garotos, de acordo com uma lista previamente fornecida. Qual não foi a surpresa quando encontrou na bagagem de um deles comprimidos para resfriados, mercúrio-cromo, esparadrapo, um grosso cobertor, dois pares de meias de lã, um cachecol e um guarda-chuva desmontável. “Por que você trouxe essas bugigangas em pleno verão?”, perguntou o chefe.  “Chefe, será que o senhor nunca teve uma mãe?”, respondeu o menino.

Já vi no futebol muitos jogadores que marcam seus adversários com extrema competência. Em se tratando da vida no lar, pode-se dizer que a tarefa da “marcação cerrada” cabe às mães.

Apenas ela escuta, com seu ouvido biônico, o simples sussurrar do bebê no meio da noite. E levanta para ver o que aconteceu. Quando o filho é bebê, a marcação acontece até quando dorme: a mãe fica acordada só olhando ele dormir. Quando o filho já é maior, a mãe mesmo assim o coloca para dormir e canta para ele.

Isso sem falar nos conselhos: “Leve guarda-chuva!” ou “Está levando um casaco de frio?” – mesmo que estejamos em janeiro. Está sempre perguntando se queremos comer alguma coisa. Quando nos atrasamos para o almoço ou demoramos a chegar, o celular toca: “Vai demorar?” E ainda reclama que o filho não liga...

Elas querem saber aonde vamos, onde fica esse lugar, o que é propriamente esse lugar, quem são nossas companhias, a que horas retornaremos e assim por diante. Elas querem conhecer nossos amigos, querem que eles entrem em casa, que contem de suas famílias, o que fazem e do que gostam. Querem conhecer bem e profundamente a futura nora, ver suas habilidades e contar para elas do que o filhinho gosta.

Uns chamam de exagero. Na verdade, chama-se “amor maternal”. E provavelmente eles só entenderão esse amor o dia que forem mães ou pais. E amarem incondicionalmente. E se preocuparem. E não dormirem. E cuidarem de alguém mais do que cuidam a si próprios.

Nesse dia os filhos também compreenderão melhor o amor de Deus. Um Deus que faz uma “marcação cerrada” com cada um. Não para tolher a liberdade. Mas justamente para concedê-la sem esperar pelo pior. Às vezes achamos que já somos tão donos do próprio nariz que não precisamos mais daquele “telefonema divino” da Sua Palavra, nem do “casaco divino” de Seus conselhos, muito menos da “canção divina” do perdão para dormirmos em paz, sem ansiedade ou preocupações quanto ao amanhã.

O legal disso tudo é que, mesmo com nossa birra, mau humor e incompreensão, mãe é mãe. Ela não faz caso do nosso nariz torcido e continua sempre igual. Na “marcação cerrada”, em profundo amor, carinho e dedicação para uma vida feliz.

O mais legal, porém, é que Deus já nos mostrou, em Jesus, que Sua “marcação é ainda mais cerrada”: revela amor, carinho, dedicação para uma vida feliz e... eterna.



Rev. Júlio Jandt
Itararé, SP
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