quarta-feira, junho 08, 2016

Estupro - cultural ou individual?


 
O termo “cultura do estupro” mais atrapalha do que ajuda. O alerta vem da RAINN (organização nos Estados Unidos que se traduz como Rede Nacional de Assistência à Vítimas de Estupro, Abuso e Incesto). A RAINN, num documento à Casa Branca em 2004, sugere que “nos últimos anos, tem havido uma infeliz tendência em acusar a ‘cultura do estupro’ pelo extensivo problema de violência sexual”. “É importante”, diz o texto, “não perder a noção de um fato simples: estupro é causado não por fatores culturais, mas por decisões conscientes, de uma pequena porcentagem da comunidade em cometer um crime violento”. O termo foi criado pelo movimento feminista, EUA, nos anos 70, a fim de defender que o estuprador pratica a violência sexual por culpa do contexto cultural onde a mulher sempre foi desvalorizada. O assunto é polêmico quando nos últimos dias ouvimos bastante a palavra “cultura” para explicar o caso da jovem violentada por vários rapazes no Rio de Janeiro.
 
Não há dúvida de que os costumes, a educação, e até a religião, podem influenciar a prática de coisas boas ou ruins, sobretudo no comportamento sexual. Mas, afirmar que a causa do estupro é cultural, livra o criminoso da culpa e transfere o problema às questões sociais, por vezes, com finalidades ideológicas e políticas. A violência, antes de qualquer natureza, é pessoal. O meio em que a pessoa vive apenas intensifica, mas o abuso é do agressor e o problema deve ser tratado individualmente, sem colocar todos e tudo no mesmo balaio. No tempo bíblico, quando os fariseus se resguardavam hipocritamente contra as “impurezas” espirituais de outras culturas, Jesus contestou, dizendo que “é do coração que vem os crimes de morte, os adultérios, as imoralidades sexuais...” (Mateus 17.19).
 
A violência do estupro é um ato imoral e a culpa é do indivíduo. O remédio está na cultura da Palavra que diz: “Marido, ame a sua esposa como Cristo amou a Igreja e deu a sua vida por ela” (Efésios 5.25). Onde o amor de Cristo é cultivado, há respeito com o corpo da outra pessoa.   
 
 
Marcos Schmidt
Novo Hamburgo,RS
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