Começando o dia

Sexta-feira, manhã.  No farol vermelho, um motorista trocava ameaças com outro, que estava na pista contrária. “Vem você aqui!”. Ofensas, xingamentos. Trânsito em risco. Começo do dia anunciando uma sexta feia.

Não dava para saber quem tinha razão, se é que alguém tinha. Dava apenas para pensar: “Vale mesmo a pena começar o dia assim? Numa sexta-feira, no início do ano?”. Imagina em Novembro.

Talvez cheguemos à conclusão de que não era o início de uma sexta-feira, mas o final de uma semana inteira. Erupção de fatos acumulados. O tradicional deslocamento de insatisfações e frustrações para cima do primeiro que aparece.

Naquela sexta foram aqueles dois. Em quantos outros dias somos nós mesmos? Em quantos problemas nos metemos semanalmente, pelo fato de que não conseguimos controlar, refletir, extravasar de maneira adequada.... e, se necessário - aquelas palavras que causam tanto medo, mas não deveriam -, admitir e mudar?

O dia, que começou de um jeito, poderia ter acabado de outro, bem pior para os dois. É só pensar quantas pessoas já desceram de um automóvel, iradas, com uma arma na mão.

Dá pra começar melhor o dia, mesmo em uma semana difícil? É possível que sim. Por exemplo, quando nos lembramos que somos fracos e frágeis, mas que também somos amados, aproximados e amparados por Deus. Se temos fé, somos filhos. E se somos filhos, temos Alguém que matou nossa maior frustração, Jesus Cristo, nos dando a alegria de pertencer a Ele. Encontramos quem pode nos tirar a culpa e o medo das mudanças necessárias. Para lembrarmos que, ainda que diferentes uns dos outros, todos somos objetos do amor deste Condutor, de quem precisamos rumo ao destino eterno. Podemos evitar fuzilar alguém com palavras na primeira hora da manhã.

Em quantos problemas a menos podemos nos meter quando vivemos em coerência com esta fé? Não dá pra calcular. Mas dá pra confiar Naquele que perdoa, alivia e conduz.

Este sim, é um jeito de tornar bela qualquer sexta feia.


P. Lucas André
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