segunda-feira, agosto 26, 2013

Supridos

Ao fazermos nossas compras em um supermercado, dificilmente nos damos conta do trabalho que existe para deixá-las atraentes para o consumidor. Passamos rapidamente pelos pontos, pegamos na prateleira aquilo de que precisamos e seguimos, pois a vida continue e nós temos pressa.

Este era o nosso trabalho, lá no longínquo tempo do inicio dos anos 1990. A função era ‘supridor’. O trabalho, abastecer as gôndolas -  o nome técnico das prateleiras de um supermercado. Começava com saber observar o fluxo das mercadorias para fazer o pedido. Depois, a chegada do caminhão de mercadorias. Descarregar, arrumar lugar em um depósito minúsculo. Marcar cada item com a maquina de preços (era a época pré-código-de barras.). Levar para a ‘loja’, designação do ambiente de compras. Abastecer as gôndolas, de maneira ordenada, competente e atraente. Cuidar da verticalização, que consistia em emparelhar produtos iguais na vertical como forma de chamar mais a atenção. Ainda, construção das pontas de gôndola ou das ilhas em meio aos corredores, arte que os mais velhos ensinava aos mais novos. Depois, o trabalho de manutenção, que incluía o que se chamava de ‘puxar à frente’, mantendo os produtos sempre alinhados, gerando um visual atraente em todo o corredor. Tempos de uma gurizada batalhadora que levou para a vida aqueles dias de aprendizado.

Tudo isso para o cliente passar, pegar o produto, ir para o caixa e ir embora.

Mas, enfim, as coisas são assim - também em diversas outras profissões. Quem usufrui do produto dificilmente se dá conta de todo o trabalho do produtor e da produção.

No campo espiritual, às vezes também queremos consumir produtos rapidamente, e, de preferência, com efeito igualmente rápido. Pois a vida continua e temos pressa.  A vida religiosa acaba parecendo uma imensa prateleira cheia de produtos similares, com produtores e supridores disputando no preço o espaço no coração.

Mas é diferente. Existe um Produtor, que é também o Supridor, daquilo de que mais precisamos para manter em dia nossa coração. Sua produção veio ao encontro da maior carência humana, para que todos pudessem ser abastecidos de perdão, paz e vida plena. Mas Jesus Cristo não trabalha com lógica de mercado, mas com a lógica teológica das páginas do Livro Sagrado, a Bíblia. Nela, podemos percorrer corredores inteiros de ensino, reflexão, conforto, paz, perdão. Salvação.

E este Produtor não trabalha com guerra de preços. Na verdade, nem preço há. Ou seja, tudo se decide no campo da qualidade. Sem pressa e com toda a precisão.

E aí, e até covardia. Porque ninguém consegue competir com Quem nos deixa supridos diariamente com o melhor de que podemos precisar.





Rev. Lucas André Albrecht


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