quinta-feira, agosto 01, 2013

Resolver o problema

A China já arrumou uma solução para o problema dos enormes e quase inacreditáveis volumes de atraso em voos no pais. A ordem agora é que os aviões decolem, mesmo sem saber se vão ter onde pousar. A demora e atraso até que reduziram. Só que dezenas de aeronaves ficam no ar por horas, voando em círculos aguardando uma pista livre, gastando combustível e, o pior, aumentando em muito o risco de vida, já que sempre é mais seguro esperar no chão do que no ar.

Algo parecido tem se evidenciado nos relacionamentos humanos, especialmente no ambiente da internet. As pessoas estão decolando mensagens sem se preocupar onde e quando elas vão pousar.

Como há coisas atrasadas em suas vidas, angústias acumuladas, tensão e ansiedade, precisam, de alguma forma, arrumar uma solução. Aí, mandam aviões, ou melhor, torpedos, para muitos lados, sem se preocupar se, quando, e onde vão pousar. Basta passar algum tempo lendo reações a erros e tropeços dos outros, em redes sociais, sites da web ou situações das vida real. É incrível o numero de pessoas que, deparando-se com o que consideram errado, seja pequeno, médio, grande –  pior ainda, as vezes sem realmente terem certeza se foi mesmo um erro intencional – passam a disparar ódio, intolerância. Apelos à ignorância, agressões pessoais. Chegando, em alguns casos, a pérolas como “essa sua atitude me deu câncer”. ‘eu vou te matar“ ou “se vejo na rua, jogo o carro em cima’. Como no caso chinês, em vez de resolver, desviam do foco, causando novos problemas.

Isto é algo completamente diferente? Não, este é o mesmo ser humano de sempre. Só que, agora, com ferramentas que elevam a potências ainda não presenciadas a capacidade de mandar para o ar voos verbais, palavras que voam em círculos, queimando combustível em vão. Então, quando e se pousarem em algum lugar razoável, podem já ter colocado em risco a reputação, dignidade e a própria vida de outras pessoas.

Quando Jesus Cristo falou em ‘não julgar para não sermos julgados”, certamente não estava impedindo condenar o que é errado. Mas não tenho dúvida de que estava nos alertando a pensarmos bem antes de darmos autorização de partida para a agressão gratuita, a condenação brutal, a arrogância destruidora - reflexos dos problemas não resolvidos. Mais do que isso. Convidou a olharmos para dentro de nós mesmos. É de dentro para fora que precisamos resolver o problema – e que, na verdade, foi resolvido de fora para dentro, por Ele, que oferece pela fé a maneira eficaz de lidarmos com aquilo que se acumula em nosso coração. Em vez de transferir, transformar. Em vez de desviar do foco, focar no essencial. Em vez de voar em círculos, segurança de onde vamos pousar..

E Ele não só falou, também agiu. Imagine o tipo de post que Ele poderia ter feito contra os algozes que o pregavam, injustamente na cruz. No entanto, a palavra que ecoou pelo ar foi o que resolve o problema: “perdoa-lhes”.

Isto, sim, é algo completamente diferente. E que é oferecido a todos por igual.





Rev. Lucas André Albrecht


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