Ponto


Até que ponto o ser humano consegue chegar?

Às vezes, ele é um lugar bem baixo.
Até o ponto de ser tão egoísta que o bem comum torna-se acessório de quinta utilidade.
Até o ponto de roubar tanto que não já não divisa mais a fronteira do que é pouco ou muito.
Até o ponto de conseguir ser cruel e desumano com alguém de sua própria espécie.
Até o ponto de se humilhar e sujeitar às piores humilhações e mais ridículas situações por um pouco de exposição, visibilidade, ‘ar social’.

Em alguns casos, um lugar mais elevado.
Até o ponto de doar órgãos de um ente querido para salvar a vida de um desconhecido
Ao ponto de tirar de si mesmo para ajudar alguém que precisa.
Até o ponto de mover o mundo porque acredita em uma causa nobre.
Até o ponto de sofrer o que for preciso para não abrir mão de princípios que não podem ser feridos.

Mas o grande ponto é: onde está o ponto? Em que ele se apoia? Até onde ele vai nos levar?
Pois sem um ponto de apoio, os limites vão sumindo e a razão vai sendo ignorada. E então o ser humano sente-se livre para viver colecionando três pontinhos, numa constante reticência que permite tudo o que se desejar...

Mas seguir a vida é saber que cada dia termina em virgula - logo vem outro para não nos deixar parar. E para vivê-los, sem um ponto de equilibrio, corremos o risco de utilizar apenas frases feitas, desconexas, que não descrevem exatamente quem somos. E, pior, não nos orientam no que realmente vamos precisar.

O ponto a favor nesta situação é o de que Deus já deu provas até que ponto vai para nos ter perto. Jesus Cristo é a prova viva deste amor sem fim de linha, de um cuidado que não conhece ponto final. Ele ajusta o ponto de equilibrio para que seja o mais preciso que se puder alcançar. E também nos busca quando estivermos lá embaixo, depois de cruzar limites que não deveríamos arriscar.

Ponto de apoio, ponto de equilíbrio, ponto de vista, ponto com nó... para continuarmos a escrever a vida com segurança, está Nele nosso porto seguro.

Ponto a ponto. E de ponta a ponta.
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