Chegamos no estabelecimento, destes que vendem produtos naturais, para comprar alguns grãos, chá, coisas do gênero, e uma das funcionárias atendia uma pessoa.
-O que mais pra você, moça?
E seguia em frente, atendendo ao pedido. Lá pelas tantas, mais uma pergunta:
-Está bom esta quantidade, mocinha?
E o serviço era completado. Um dia de rotina, em princípio nada demais nesta situação.

A não ser pelo fato de que a ‘mocinha’ em questão era uma senhora de, seguramente, mais de 50 anos.

Pode ainda continuar sendo um fato nada especial. É apenas uma palavra, ‘moça’. E alguém ainda poderá dizer que a atendente utilizou este adjetivo somente como estratégia de vendas, ‘encantar o cliente’, e tal. Pode ser. Por outro lado, aparentemente era um lugar que não paga comissão de vendas. A jovem poderia apenas cumprir sua obrigação, atender normalmente mais uma ‘senhora’ e ponto.

Mas não. Ela preferiu chamar aquela mulher de ‘mocinha’. E acredito que o fez porque sabe, como todos sabemos, o efeito que uma gentileza como esta pode ter. É possivel que aquela moça-senhora tenha ganho seu dia apenas por ter sido chamada repetidamente desta forma.

E eu fiquei pensando, o toque de vida de hoje poderia falar disso. Poderia mencionar o quanto uma gentileza pode ser simples – apenas uma palavra; o quanto pode ser oportuna e bem-vinda. E qual o tamanho do bem que pode proporcionar.

Tudo bem, às vezes nossos apressados, estressados, ‘não-importados’ corações racionam gestos gentis, não sendo generosos por, talvez, nem sempre receberem generosidade. Mas eles podem ser educados, conduzidos, condicionados a não serem tão pão-duros. E para isso, um produto sobrenatural – ‘além do natural’, especial, diferente – é a fonte de nossa alimentação. Grãos das palavras de Deus, chá de fé que age pelo amor. O amor do Mocinho que, aos 33 anos, nos deu tudo de que precisamos para que nossa fé tome forma em gestos na direção do próximo. Com um conteúdo capaz de fazer alguém ganhar não apenas o dia, mas a vida inteira.

Mas ser gentil não pode ser mera estratégia do exterior, e sim, espelho do interior. Do coração. Aí, não vão faltar mocinhos e mocinhas de todas as idades espalhando muitos gestos de consideração.
2 comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Só os loucos sabem

Tempo de uma vida

Com consideração