Base

Fazer o trabalho de construção com dedicação e empenho, pois tudo precisa ficar perfeito para ir ao ar.
Nâo muito tempo depois, trabalhar para destruir tudo o que foi feito. Pois a limpeza precisa ser perfeita para não deixar residuos, nada pode ficar.

É interessante a vida dos maquiadores. Sua rotina é construir o trabalho mais perfeito possivel para, algum tempo depois - em alguns casos, minutos -, desfazer tudo, não deixar nada para trás. Foi o comentário que fiz com a Daiane, maquadora da Ulbra TV. Pouco tempo depois de embelezar o rosto de alguém, aqulo que foi feito com tanto cuidado é destruído sem olhar pra trás.

Tudo porque a auto-estima gosta de maquiagem. Mas a epiderme, não

Se um maquiador não está consciente desta realidade, provavelmente não vai ser feliz. Tentar perpetuar o que precisa ser passageiro dificilmente vai satisfazer ou contentar.

Às vezes não nos damos conta, mas agimos como maquiadores que se recusam a demaquiar. Não sabemos aceitar hora de minimizar ou abrir mão de um benefício, ajuda, poder, prestígio, dinheiro, que estão sempre a serviço dentro de um todo, como a maquagem também está. Queremos que durem para sempre ou os fazemos ocupar o lugar central. E aí está o perigo. Pois podem até fazer bem para nossa auto-estima. Mas acabam fazendo um mal danado para o nosso coraçao. Para a vida..

Estas maquiagens humanas, mesmo belas e úteis, são transitórias, secundárias. Precisam ser. Nossa epiderme humana é muito frágil e volúvel, não aguenta uma exposição prolongada a alavancadores de auto-estima, que acabam se tornando infladores do ego. E causadores de um mergulho que pode não ter fim.

Para ter no rosto a base certa, o melhor é confiar tudo às mãos de Deus. Isto, de certa forma, é uma maquiagem, na medida em que encobre, perdoa o que é feio - erro – e mostrar o que é belo – a vida com Ele. Mas que também nos limpa aos poros constantemente, para a ilusão do transitório não enfeitiçar nosso olhar. Nosso rosto, nossa face, nossa vida inteira, então, são modelados por um cuidado que não tem igual. Este sim, permanente.

É assim que vivemos em paz com quem nós somos, de Quem nós somos e com Quem vivemos. É assim que o secundário permanece útil, mas o principal permanece sendo a base, que vai nos sustentar.

E é assim que a auto-estima e epiderme encontram um jeito de se acertar.
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