Fogo!

“Em uma aldeia litorânea japonesa, há muitos anos, um terremoto assustou os moradores, em uma tarde de outono. Já acostumados a tremores de terra, entretanto, e não sentindo outro em seguida, logo voltaram às suas atividades normais.

Um velho fazendeiro observava a costa a partir de sua casa, num lugar elevado, afastado da paia. Olhando para o oceano, notou que a água parecia escura e estava se portando de maneira estranha, contra o vento e se afastando da praia.
Ele sabia o que isso queria dizer.

Seu único pensamento foi de alertar o povo da aldeia. Então chamou seu neto e pediu “me traga uma tocha, rápido!”. Atrás dele, estava sua grande colheita de arroz em pilhas, prontas para serem vendidas. Valiam uma fortuna. O velho homem foi ao encontro dela com a tocha. Num instante, o arroz seco estava em chamas.

Logo o sino do templo lá na aldeia começou a tocar. “Fogo!” Correndo o quanto podiam, subindo naquela direção – e, assim, para longe da praia -, veio o povo da aldeia, para ajudar a salvar a colheita do vizinho. “Ele está louco!”, foi a reação ao se aproximarem do velho senhor parado, os esperando, olhando para o mar. Quando chegaram mais perto, o homem gritou. “Olhem!”

No horizonte, viram uma longa e fina linha – que foi ficando maior e mais grossa. Era o mar, levantando-se como uma parede, ficando cada vez mais alto e imponente enquanto olhavam, aproximando-se da costa. Então veio o abalo, mais forte que um trovão. A grande parede de água bateu com tal força que fez tremer o chão e despedaçou as casas como se fossem feitas de palitos de fósforo. A água recuou com um forte som, então retornou e bateu de novo, e de novo, e de novo. Uma última investida, e então retornou ao seu lugar.

Lá em cima, no elevado, ninguém disse uma palavra por um longo tempo. Finalmente, pôde ser ouvida a voz daquele velho homem, dizendo suave e gentilmente: “Desculpem pelo transtorno do fogo. Mas era o único jeito de avisá-los”.

Agora, ela estava também tão pobre quanto o mais pobre dos aldeães. Sua riqueza acabara – em favor de 400 vidas. Mas Ele não ficou triste pelo que o seu sacrifício tinha custado. Mas sim, cheio de alegria pelo que havia salvo.”


Em Cristo, que se fez igual a nós, Deus sempre quer nos colocar a salvo dos perigos que podem nos esmagar. Quando ‘fogos’ surgirem em nossa vida, portanto, nem sempre significam destruição. Podem ser justamente o sinal de Sua proteção.



Fonte da ilustração
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