Dia perfeito

Ontem tivemos a oportunidade de levar a Dorcas, nossa amiga da Nova Iorque (e leitora do toque de vida, fala português fluentemente) para um passeio em Gramado e Canela. Foi uma tarde-noite bem agradável, com vistas muito belas, como só a serra gaúcha pode proporcionar.

Ao final do dia, ao deixá-la no hotel em Porto Alegre, ela resumiu o passeio em uma frase
- Foi um dia perfeito.

É difícil acreditar que existe algo assim, um 'dia perfeito'. Ela mesmo estava resfriada, caminhando pelas ruas e interagindo conosco com os olhos lacrimejando, provavelmente até um tanto cansada.
Um dia perfeito. Como?


Eu tenho um palpite: um dia pode ser perfeito ou perdido, dependendo de como nos relacionamos com ele. Até mesmo um passeio a Gramado, que tem grandes chances de ter muitas coisas boas, pode ser um dia perdido se ficássemos só pensando nas outras coisas que podemos ter deixado de fazer. Ou se teríamos tempo para tudo. Ou se por acaso não iria chover, ou fazer muito frio. "E se o pneu furar?"

Nosso problema é a tendência notar mais o não bom. O pneu furado, não o macaco e a chave de roda. O cliente que nos xingou, não o que elogiou com um 'obrigado'. A frase mais seca, não o olhar mais doce.Pior ainda quando sofremos por antecipação, pensando no que de ruim poderá acontecer. E acabamos mesmo transformando o perfeito em perdido.

O fato de ser um 'dia' já indica que é muito bom. Estamos vivos, temos oportunidades, relacionamentos. Podemos ter escolhas, tomar decisões – atributo único nosso. Aprender algo novo. Ajudar. Sorrir. E ele se torna perfeito com a companhia certa. Deus, que nos ama tanto e que nos dá sempre um novo dia, é companhia que sempre garante um dia bom.

Quer seja de sol, de chuva, de passeio ou de trabalho no escritório, um ‘dia perfeito’ é assim. A estrada pode ter curvas perigosas, mas sempre com paisagens que agradam o olhar.
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