Pessoal

"Aluga-se um amigo" é a chamada de capa do caderno Donna ZH , domingo passado. O carioca Silvério Veloso, 42 anos, criou o serviço de 'tele-amigo', ou personal friend, para ficar mais chique. Por 300 reais por uma hora, você tem um amigo para conversar sobre empreendedorismo, caminhar, jogar conversa fora ou apenas tomar um chope.

Não que isso seja novidade, pois, como destaca a matéria de Milena Fischer, outros personals, como professores particulares e tele-entregas, há muitos anos, já levam a exclusividade do massivo, fazendo com que cada um sinta-se singular naquilo que é consumido por todos.
Martha Medeiros alerta para o fato de que, quanto mais personals uma pessoa paga, mais impersonal sua vida mostra ser.

Mas para ser bem justos mesmo, precisamos admitir quem inventou esta história toda foi Deus. Muito antes da sociedade de consumo, ou hiperconsumista(Lipovetsky), que vê no pagar o sentido do viver. Basta olhar lá no Antigo Testamento. "Eu sou o senhor TEU Deus"

Taí, o primeiro personal God da história.

E por sinal, cada vez mais único. Em épocas de deuses cada vez mais impersonals, parecidos mais com energia quântica do que com alguém com nome e sobrenome, o Deus da Bíblia é mais único e personal do que sempre. Estabeleceu um relacionamento muito próximo. Mandou até o personal savior, Jesus Cristo - quje singulariza o que também se aplica a todos. Disponível em domicílio. 24/7, através do contato de duas letras: Fé. Sem custo operacional, taxa de entrega ou adicional noturno. De graça.

A febre cada vez maior de personals, segundo alguns, deriva do consumismo e solidão crescentes. Para outros, mais pragmáticos, é apenas nova oportunidade de trabalho. Na minha ótica, pode ser reflexo da ausência deste personal God, inimitável no mercado.
E aí, tentar preencher o espaço deixado por Alguém que é infinito... torna-se um verdadeeiro drama personal.
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